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X mata o revenue sharing e paga só a quem criar de raiz

A rede de Musk troca partilha de receitas por um programa de recompensas focado em conteúdo original. O cheque fica ainda mais preso atrás do selo azul pago.

X mata o revenue sharing e paga só a quem criar de raiz

A X fechou a porta a novas inscrições no programa de partilha de receitas com anúncios e já marcou data para o fim: 7 de setembro. No lugar entra o Original Content Rewards Program, uma nova forma de pagar a criadores, mas com duas condições claras: tens de pagar subscrição Premium e tens de produzir conteúdo que a plataforma consiga chamar “original” sem corar.

Na definição da própria X, conta como conteúdo original o teu texto ou reportagem, fotos e vídeos que tiras, memes e ilustrações que crias. Também é possível ganhar dinheiro em cima de publicações de outras pessoas, mas só se lhes acrescentares comentário ou análise considerados “significativos” ou fizeres edição criativa de fotos e vídeos. Legendas óbvias ou texto colado por cima de um vídeo viral deixam de contar. A regra é simples: se o teu contributo acrescenta pouco ou nada, a X não o trata como original e não paga.

O problema é que, como sempre nestas plataformas, quem define o que é “significativo” é o algoritmo e a moderação da casa. Do ponto de vista de um criador em Portugal, isto cheira a duas coisas: tentativa de travar contas que só reciclam virais de terceiros e, ao mesmo tempo, mais um filtro para concentrar dinheiro em quem já tem escala. A X não está a inventar a roda, está a apertar o funil.

Os requisitos para entrar no novo programa confirmam isso. Para seres elegível tens de ter 18 anos, viver num dos países onde o programa está disponível, pagar X Premium (inclui Premium, Premium+ ou Premium Business), ter pelo menos 500 seguidores verificados e somar 500.000 visualizações no feed inicial vindas de utilizadores verificados nos últimos 90 dias. Ou seja, só contam impressões únicas de quem também paga ou é verificado. O círculo fecha-se: os que metem dinheiro e já têm alcance são os que têm hipótese de o recuperar.

Quem já estava no antigo programa de partilha de receitas não transita automaticamente. A partir de 8 de setembro terá de se recandidatar ao novo esquema, se cumprir os critérios. Quem nunca lá esteve pode candidatar-se já, através da página de ajuda da X. Não há qualquer detalhe público sobre taxas de pagamento por impressão, nem sobre limites mínimos de levantamento, o que deixa os criadores a adivinhar se vale a pena reformatar a estratégia de conteúdo em função destas regras.

Em março, a X já tinha mexido na partilha de receitas para dar mais peso ao engagement no país de origem, depois de se descobrir que várias contas populares pró-Trump nem sequer estavam nos EUA. Agora troca o modelo inteiro por um sistema menos transparente, mais dependente de subscrições pagas e com uma definição de “original” que, aplicada à letra, cortaria metade dos conteúdos que fazem o feed mexer. Para quem cria a partir de Portugal, isto parece menos um plano sustentável para remunerar talento e mais um teste de stress à paciência de quem ainda não abandonou a X.

Fonte: Engadget

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