X abre algoritmo de ranking e promete mostrar quem foi shadowbanned
A rede de Elon Musk publica o código do feed “For You” e lança uma ferramenta que expõe se contas e posts foram penalizados no ranking. Transparência real ou teatro open source.
A rede de Elon Musk publica o código do feed “For You” e lança uma ferramenta que expõe se contas e posts foram penalizados no ranking. Transparência real ou teatro open source.
A X voltou a despejar código no GitHub, mas desta vez com algo que interessa mesmo a quem vive do alcance: o algoritmo de ranking do feed “For You” e uma nova ferramenta que indica se a tua conta ou publicações foram empurradas para o fundo do poço algorítmico, o famoso shadowban que a antiga Twitter dizia não existir.
O código do feed predefinido está agora disponível em github.com/xai-org/x-algorithm sob licença Apache v2. Segundo a própria X, o repositório passou a ter entre 10 a 15 vezes mais ficheiros do que a primeira versão aberta em janeiro, incluindo configuração de modelos, filtros e detalhes do sistema de ranking. Em termos práticos, isto significa acesso aos parâmetros que pesam sinais diferentes e decidem o que aparece no teu ecrã. É raro uma rede social desta escala abrir assim o motor, mesmo que boa parte do que conta continue escondida.
O novo brinquedo para utilizadores vive numa secção “Under the Hood” nas definições da app. Quem tiver uma conta com pelo menos um ano e mais de 10 posts no último mês vai poder descarregar um ficheiro JSON com estatísticas agregadas e etiquetas aplicadas à conta ou a publicações nesse período. A X sugere que utilizadores menos técnicos despejem o ficheiro num modelo de linguagem e apontem também para o repositório no GitHub, pedindo uma interpretação. Uma espécie de auto-perícia algorítmica alimentada pela mesma IA que anda a ser usada para moderar e filtrar conteúdo noutras plataformas, como já analisámos em detalhe em como a IA pode apagar comunidades inteiras.
Antes do lançamento, a empresa mostrou o código a investigadores externos de sistemas de recomendação, que conseguiram treinar e correr o sistema Phoenix de pontuação com base neste código aberto. Para a X isto é um selo de que a coisa é auditável. Mais interessante é a promessa de aceitar pull requests de programadores externos que queiram “melhorar” o algoritmo. A ideia de uma timeline parcialmente programada pelo público soa bem, mas também abre a porta a grupos organizados a tentar enviesar o sistema a seu favor. Chamar-lhe comunidade open source não apaga o facto de o controlo final continuar privado.
Nem tudo foi aberto. Ficam de fora, por exemplo, os sistemas que usam o Grok para prever violações de regras. A justificação oficial é óbvia: não dar munição a quem quer contornar filtros e encher a rede de spam e desinformação. Na prática, a parte mais sensível do poder de moderação continua opaca. E é aqui que a conversa sobre transparência aperta, sobretudo numa plataforma que tem sido palco de campanhas políticas, teorias da conspiração e guerras culturais, agora nas mãos de um dono que já investiu centenas de milhões de dólares para eleger Donald Trump.
Há também um contexto regulatório europeu a que a X não escapa. O Digital Services Act impõe obrigações de transparência sobre sistemas de recomendação para plataformas de grande dimensão, incluindo acesso para investigadores e explicações sobre critérios de ranking. Abrir código ajuda na relação com Bruxelas, mas não substitui métricas de utilização, relatórios de pedidos de remoção governamentais ou dados de impacto de desinformação, áreas onde a X se fechou mais desde que saiu da bolsa. Para quem usa a rede em Portugal, a novidade é útil se fores criador, jornalista ou activista e quiseres provas de que o teu alcance foi cortado. Mas enquanto a empresa escolher que parte da máquina mostra e qual esconde, a assimetria de poder mantém-se: a X continua a decidir quem fala mais alto, agora só com um verniz open source por cima.
Fonte: TechCrunch
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