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Withings BodyScan 2 pesa-te, mas é a carteira que acusa mais

A balança mais ambiciosa do mercado mede de tudo, do ECG às gorduras segmentadas. O preço e a dependência da app e da subscrição é que estragam a festa.

Withings BodyScan 2 pesa-te, mas é a carteira que acusa mais
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Uma balança de casa de banho a $600 custa à volta de 550€ e grita logo luxo desnecessário. O review do Wired ao Withings BodyScan 2 não discorda do exagero no preço, mas mostra porque é que este tijolo preto fino está mais perto de equipamento médico do que de um acessório de WC.

À primeira vista, o BodyScan 2 parece uma balança digital elegante como tantas outras. O detalhe que o separa da multidão é a pega com cabos embutidos, sinal claro de que estamos no território das balanças de composição corporal avançadas. Nessa pega vive também um pequeno ecrã LCD a cores onde aparecem, em tempo real, peso, percentagem de gordura e massa muscular, estimativa de metabolismo basal, idade vascular e pulsação. Segundo o Wired, o hardware é surpreendentemente simples de usar, o que é meio caminho para as medições não saírem todas ao lado.

O BodyScan 2 oferece dois tipos de medições. As diárias, de cerca de 30 segundos, cobrem o básico avançado: peso, gordura e músculo medidos para o corpo todo e por segmentos tronco, braços, pernas e gordura visceral. Depois há o prato forte, o chamado “longevity scan”, um exame semanal de 90 segundos que junta a isto tudo medições de SpO2, resposta do sistema nervoso e, sobretudo, um electrocardiograma de seis derivações com capacidade de detetar fibrilhação auricular. Quem testou a balança para o Wired descreve ver o traçado do coração no ecrã da pega como um misto de fascínio e susto, com a frequência cardíaca a subir só pela ansiedade de saber o resultado.

Quando a sessão termina, quase tudo passa para a app móvel da Withings, que é onde se percebe realmente o alcance do sistema. Há históricos, tendências, resumos semanais quase em formato relatório e explicações para quem não fala medicina. O jornalista elogia a forma como a app organiza dezenas de métricas sem se tornar um caos, mas também aponta o reverso: tanto número e tanto insight algorítmico fazem com que, por vezes, as mensagens pareçam confusas ou até contraditórias. E aqui entra o outro elefante na casa de banho, o modelo de negócio. O BodyScan 2 praticamente exige subscrição para tirar partido de tudo, o que significa pagar bem mais do que os ~550€ da etiqueta ao fim de um ou dois anos.

Numa altura em que um bom smartwatch com ECG, como vários dos modelos que já olhámos em detalhe, consegue cobrir grande parte das métricas que importam, vale a pena uma balança deste calibre? Nas contas do Wired, o BodyScan 2 consegue ir mais longe do que um relógio em composição corporal e qualidade dos relatórios, e o ECG de seis derivações aproxima-se de exames profissionais, algo que alguns utilizadores cardíacos podem achar reconfortante. Mas o preço coloca-o claramente na prateleira dos entusiastas de dados de saúde e de quem tem indicação clínica concreta, não na lista de compras de quem só quer saber se engordou depois das férias.

O BodyScan 2 acaba por ser um bom resumo de onde anda o mercado da saúde conectada: hardware competente, métricas cada vez mais sérias, muita dependência de algoritmos opacos e, sobretudo, uma subscrição em cima de um equipamento caro. Não falta ambição técnica, falta é responder à pergunta que pesa mais do que qualquer utilizador, se faz assim tanto sentido transformar a balança da casa de banho numa prestação mensal.

Fonte: Wired

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