Windows 10 ganha mais um ano de updates de segurança da Microsoft
A Microsoft estende outra vez o suporte pago ao Windows 10. Na Europa continua gratuito, mas é um recado claro: o sistema não morre tão cedo, apesar da pressão pelo Windows 11.
A Microsoft estende outra vez o suporte pago ao Windows 10. Na Europa continua gratuito, mas é um recado claro: o sistema não morre tão cedo, apesar da pressão pelo Windows 11.
A Microsoft tinha marcado a morte do Windows 10 para 2025, depois prometeu um ano extra de updates de segurança e agora volta a recuar. O programa Extended Security Updates, o tal balão de oxigénio para quem continua no sistema antigo, foi discretamente estendido até 12 de outubro de 2027.
Na prática, isto significa mais um ano de correções de segurança para uma base de utilizadores que a Microsoft não consegue ignorar. Segundo dados da StatCounter, o Windows 10 continua em cerca de 26% dos PCs, com o Windows 11 nos 72%. Estamos a falar de centenas de milhões de máquinas ativas. Basta olhar para a última maratona de patches de junho para perceber o que significa deixar um quarto do parque mundial sem updates.
O motivo do arrasto é conhecido. Ao contrário de migrações anteriores, o Windows 11 exige CPUs recentes e TPM 2.0, o módulo de segurança que muita máquina de escritório e muito portátil doméstico não tem. A Microsoft foi criticada por deitar fora hardware perfeitamente funcional e, em 2026, a conversa está pior: a corrida ao hardware para IA puxou preços de memória e armazenamento para cima, o que torna o “compra outro PC” menos apelativo, tanto para empresas como para famílias.
Some-se a isto a forma como a Microsoft tem empurrado funcionalidades de IA no Windows 11, muitas vezes acopladas à recolha de dados e a integrações na nuvem, e percebe-se a resistência. Há quem prefira ficar num Windows 10 mais previsível, mesmo que tecnicamente em fim de vida. A empresa sabe que um Windows desatualizado é um problema para todos, não só para quem o usa, por isso o Extended Security Updates é também um ato de autoproteção da própria Microsoft.
Entrar no programa é simples: a opção aparece no menu Windows Update. Na União Europeia, os updates ESU são gratuitos, consequência direta das regras de concorrência e de proteção do consumidor que apertam empresas que tentem vender segurança à parte. Noutras regiões, o acesso “grátis” passa por iniciar sessão com conta Microsoft e sincronizar definições do sistema. Se não quiseres alinhar nesse pacote de dados, o bilhete custa 30$ (cerca de 28€) ou 1.000 pontos Microsoft Rewards. A licença cobre até 10 dispositivos para uso pessoal. Já as empresas continuam a pagar por dispositivo, com programa garantido até 2028.
Este prolongamento é mais um capítulo de um padrão antigo. A Microsoft já tinha arrastado o suporte ao Windows XP durante anos porque a realidade não cabia no calendário de marketing. O Windows 10 não está tão entranhado como o XP esteve, mas a combinação de requisitos de hardware, custos de upgrade e fadiga com “novidades” orientadas para IA está a travar a transição. Enquanto isso, quem fica em Windows 10 ganha tempo e segurança, mas também ganha incerteza: a cada ano extra que a Microsoft acrescenta, fica mais claro que a empresa não controla o ritmo das migrações, apenas reage a ele.
Fonte: Ars Technica
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