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Volvo dá bateria gigante aos XC60 e XC90 híbridos plug-in para 2028

Os SUVs mais importantes da Volvo passam a ter baterias de 37,9 kWh e autonomia elétrica digna de elétrico. No meio da transição total para o elétrico, os híbridos recusam sair de cena.

Volvo dá bateria gigante aos XC60 e XC90 híbridos plug-in para 2028

A Volvo acaba de esticar ao máximo o conceito de híbrido plug-in nos seus dois SUVs estrela, XC60 e XC90. A atualização de 2028 traz uma bateria de 37,9 kWh úteis, um valor que até há pouco tempo era típico de elétricos compactos, não de modelos a gasolina com ficha.

O XC60 T8 passa assim de uma solução de compromisso para algo que, na prática, pode ser conduzido como elétrico no dia-a-dia. A marca fala em 78 milhas de autonomia elétrica no ciclo da EPA, cerca de 125 km. É mais do dobro do que oferecia o primeiro XC60 plug-in, lançado com apenas 10,4 kWh úteis e uns tímidos 27 km reais. A meio da vida já tinha subido para 14,9 kWh e perto de 56 km, mas agora entra noutro campeonato. Para quem faz 30 a 40 km por dia e tiver disciplina de carregamento em casa, o motor de combustão passa a ser plano B.

O XC90 T8 herda a mesma bateria de 37,9 kWh e fica com 117 km de autonomia elétrica declarada. É o SUV de três filas pensado para família grande, reboques e férias, por isso a parte térmica continua a ser central. Mas esta atualização mostra bem a estratégia da Volvo: prolongar a vida comercial dos híbridos enquanto empurra, em paralelo, a linha de 100% elétricos como o EX60. Não por acaso, os híbridos continuam a dominar as vendas europeias e a baralhar a meta de 2035, como analisámos em detalhe em híbridos dominam vendas na Europa.

Por fora, as mudanças são de lupa. O XC60 recebe faróis “Martelo de Thor” retocados, agora com projetores LED matriciais escondidos, uma grelha dianteira ligeiramente mais baixa e ajustes discretos em pára-choques e painéis. O XC90 mexe ainda menos, foi renovado há pouco tempo e a Volvo não se arrisca a estragar a fórmula do seu SUV topo de gama. É um facelift à sueca: funcional, quase tímido, com a maior novidade escondida debaixo do piso.

No habitáculo, a Volvo segue a moda da “assistente em todo o lado”. Ambos os modelos passam a ter um ecrã de 11,2 polegadas com sistema Android Automotive OS e o novo assistente Gemini, pensado para comandos de voz conversacionais. A marca garante melhor desempenho face ao assistente anterior, que tinha vindo a regredir em eficácia. Resta perceber como é que isto será traduzido para mercados europeus, incluindo português, onde reconhecimento de voz e navegação em estradas secundárias continuam a ser o calcanhar de Aquiles de muitos sistemas.

Há também um detalhe geopolítico que não é irrelevante para a indústria: o XC60 passa a ser produzido não só na Suécia, mas também na fábrica da Volvo na Carolina do Sul, nos EUA. É uma resposta direta às tarifas e incentivos americanos, que empurram os construtores para a produção local. Para o comprador em Portugal a implicação mais provável será na oferta de versões e prazos de entrega, não em descontos súbitos. A grande questão passa a ser outra: com híbridos plug-in a oferecerem 120 km reais de autonomia elétrica e depósitos cheios a prometerem quase 950 km totais, que desculpa é que continua a haver para vender híbridos com baterias minúsculas e 30 km teóricos de EV?

Fonte: Ars Technica

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