Valve entope navios com Steam Frame e prepara verão para VR
Registos de importação mostram 13 toneladas de headsets Steam Frame a chegar aos EUA e mais de 140 toneladas de Steam Machines em armazém. Não é teaser, é logística séria.
Registos de importação mostram 13 toneladas de headsets Steam Frame a chegar aos EUA e mais de 140 toneladas de Steam Machines em armazém. Não é teaser, é logística séria.
Quando um cargueiro alemão descarrega em Los Angeles e o que interessa não são carros nem roupa, mas “Virtual Reality Devices”, sabes que a Valve não está a brincar. No dia 10 de junho, o navio Posen atracou vindo de Xangai e, segundo registos de importação, trouxe para os EUA cerca de 32 toneladas brutas de hardware VR da Valve. Feitas as contas ao peso dos cinco contentores de 12 metros, sobram aproximadamente 13 toneladas de produto real: o novo headset Steam Frame.
O detalhe vem à superfície graças a dados públicos e ao trabalho de gente que passa demasiado tempo em bases como a ImportYeti. A distribuidora Ceva aparece a descarregar estes “Virtual Reality Devices” em nome da Valve, enquanto noutras entradas os produtos surgem como “Game Consoles”. Esta separação é útil. Dá para perceber que aquilo que a Valve tem vindo a acumular desde abril sob a etiqueta de consola é quase de certeza a Steam Machine, o pequeno PC de sala que a empresa está a usar para ressuscitar a ideia de Steam Machines com mais cabeça e menos marketing vazio.
Desde 23 de abril, os registos apontam para cerca de 141 toneladas métricas de “Game Consoles” em contentores de 12.600 kg. Traduzido: um mar de caixas com Steam Machines, mas provavelmente menos de 50.000 unidades, tendo em conta o peso oficial de 2,6 kg por consola sem contar com comandos e cabos. A escala parece gigante quando lida em toneladas, mas em termos de mercado é stock inicial, não invasão. O mesmo vale para o Steam Frame. Cada headset, com os dois comandos de varinha, pesa 654 g. Com 13 toneladas estamos a falar, grosso modo, de menos de 20.000 unidades. É pilot, não dominância.
Há outro padrão curioso: em maio surgem três contentores mais pesados, na casa dos 14.500 kg, classificados como “Game Console”. Foi esse o peso típico dos contentores antes da Steam Machine existir, o que indica que aí dentro vinham mais lotes da Steam Deck. Ou seja, a Valve está a gerir três linhas de hardware em paralelo, com pausas nas remessas de consola e consola portátil para abrir espaço ao arranque do headset VR. Para quem se lembra de como as antigas Steam Machines foram largadas às feras sem estratégia coerente, este controlo de fluxo quase parece disciplina industrial.
Para os jogadores em Portugal e no resto da Europa, a pergunta prática é uma: quando e em que quantidade é que isto atravessa o Atlântico. A Valve já confirmou que Steam Machine e Steam Frame chegam este verão, mas não detalhou fases de lançamento nem distribuição fora dos EUA. Com a crise de memória que a própria Valve baptizou de RAMageddon a obrigar a mexer em preços, é difícil imaginar margens agressivas no arranque. Mais provável é vermos unidades limitadas, possivelmente primeiro em mercados anglo-saxónicos, enquanto o resto do mundo olha para gráficos de contentores e faz contas ao câmbio.
O que estes 13 e 141 toneladas mostram, acima de tudo, é que a Valve está realmente a apostar num “universo” de hardware próprio em vez de depender apenas de PCs montados por terceiros. Se aprende com o sucesso do Steam Deck ou repete o desleixo da primeira vaga de Steam Machines, isso vai decidir se estes contentores ficam encalhados em armazéns ou se passam a ser presença normal nas prateleiras da FNAC e da Worten.
Fonte: The Verge
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