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Una Watch quer ser o Garmin open-source que consegues reparar

Relógio desportivo com GPS, peças modulares e software aberto por 199 dólares. Mira no entusiasta que não quer um smartwatch preso ao fabricante.

Una Watch quer ser o Garmin open-source que consegues reparar
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Enquanto Apple, Samsung e Garmin fecham cada vez mais os relógios, a Una aparece a puxar para o lado oposto. A Una Watch é um relógio desportivo com GPS que custa 199 dólares, é modular, reparável em casa e com hardware e software em open-source. Segundo o The Verge, a marca posiciona-o como a fusão entre a filosofia aberta dos velhos Pebble e as métricas de treino à Garmin.

Do lado técnico, o relógio traz um ecrã MIP LCD de 1,2 polegadas, autonomia anunciada até 10 dias, GPS de dupla frequência, monitorização contínua de ritmo cardíaco, altímetro barométrico, acelerómetro e giroscópio de seis eixos, magnetómetro de três eixos e bateria substituível de 280mAh com carregamento por USB-C. Na ficha parece um desportivo competente, sobretudo tendo em conta o preço, abaixo da maioria dos Garmin atuais. O ponto fraco óbvio é a certificação IPX5, que o deixa apenas resistente a salpicos e duche, não a natação séria.

O que distingue a Una Watch não é só o que mede, é como foi pensada. A empresa diz que todas as componentes são acessíveis com ferramentas standard, o que significa que o utilizador pode abrir, substituir peças e fazer upgrades sem depender de centros de reparação autorizados. As peças mecânicas também são open-source, o que abre a porta a imprimir em 3D suportes, braceletes especiais ou até adaptadores para transformar o relógio num computador de bicicleta. Em vez de dificultar a reparação, como tem acontecido com marcas que começam a bloquear baterias e peças, aqui o incentivo é precisamente o contrário.

Também o software segue essa lógica. De acordo com o The Verge, o relógio tem SDK, caixa e placas de circuito publicados em código aberto, e a empresa incentiva explicitamente o desenvolvimento de apps. Há até a promessa de “vibe coding”: a Una fala em usar um assistente de IA para interpretar a documentação, gerar código, diagnosticar erros e ir refinando a aplicação. Na prática, é a tentativa de levar o espírito de “hackable” dos Pebble para 2026, agora com IA a servir de atalho para quem não domina programação.

Num mercado em que relógios como o Apple Watch ou o Pixel Watch continuam presos ao próprio fabricante e, na melhor das hipóteses, limitados a um punhado de anos de atualizações, a proposta da Una é quase política. É difícil não a ler em contraste com movimentos na direção oposta, como o da Samsung a testar baterias “verificadas” que complicam reparações independentes, tema que já se viu no artigo da Pixel sobre as novas políticas de serviço da marca. A Una joga na mesma liga de quem defende direito à reparação, controlo sobre o hardware comprado e a possibilidade de adaptar o aparelho à medida de cada pessoa.

Falta saber se chega à escala de quem domina o segmento desportivo, ou se fica como nicho para geeks do open-source e makers de impressora 3D. A autonomia prometida e o hardware são competitivos para o preço, mas a resistência à água limitada e a ausência de um grande nome por trás podem pesar contra. Se convencer uma massa crítica de utilizadores e programadores, a Una Watch pode não substituir um Garmin topo de gama, mas tem tudo para embaraçar os gigantes que continuam a tratar um relógio de 400€ como descartável ao fim de uns anos.

Fonte: The Verge

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