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Trump Mobile já cobra 499 dólares pelo T1 sem entregar telefones

O T1 Phone passou de pré-reserva com caução a venda direta. Só falta o detalhe de começar realmente a chegar às mãos de quem já pagou.

Trump Mobile já cobra 499 dólares pelo T1 sem entregar telefones

O telemóvel de Trump já não precisa de caução, mas continua a precisar de aparecer. A Trump Mobile decidiu abrir vendas diretas do T1 Phone por 499$ (cerca de 460€), embora muita gente, incluindo o The Verge, ainda não tenha recebido as unidades que encomendou há meses.

Até agora o processo passava por um depósito de 100$ para garantir lugar na fila, num esquema que cheirava mais a angariação de caixa do que a lançamento normal de hardware. Segundo o Android Authority, o site passou discretamente a aceitar o pagamento total de 499$ à cabeça, sem fases. Discretamente e à pressa: uma página continua a falar em “lista de espera”, outra manda “entrar na fila agora” e ainda menciona o velho depósito de 100$. A coerência ficou algures pelo caminho, como em tantos outros projetos com o nome Trump colado.

A dúvida central mantém-se: se a empresa ainda está a tentar cumprir pré-encomendas antigas, o que acontece às novas compras pagas na totalidade hoje. Não há dados sólidos de que tenham sido enviados mais do que “meia dúzia” de telefones a clientes reais, e o próprio The Verge diz que já pagou ambos os T1 que tinha em pré-reserva e continua sem qualquer confirmação de envio. Noutro contexto isto seria um escândalo de consumo. Aqui tem sido tratado quase como entretenimento tecnológico.

Trump Mobile continua a chamar a estes 499$ um “preço promocional”. Em fevereiro, executivos disseram ao The Verge que o valor iria subir no futuro, embora garantissem que o T1 ficaria “abaixo dos 1.000$”. Isto coloca o telefone na mesma faixa psicológica de topos de gama Android e iPhone, mas sem provas de qualidade, suporte ou sequer de entrega. Quem se lembra da forma como a Casa Branca de Trump falava de metas tecnológicas, incluindo o tal computador quântico de referência prometido até 2028, reconhece o padrão: prometer grandeza primeiro, tratar dos detalhes depois, se der tempo.

Para um consumidor em Portugal ou na Europa este T1 é, por agora, uma curiosidade política importada, sem preço europeu, sem garantia clara e sem qualquer indicação de compatibilidade com bandas 5G usadas pela NOS, MEO ou Vodafone. Na prática, é um produto que não existe no nosso mercado e cujo histórico de entrega nos EUA deveria ser suficiente para levantar todas as bandeiras vermelhas antes de alguém decidir pagar o que quer que seja, muito menos 499$. Se isto fosse uma marca chinesa obscura a operar da mesma forma, a etiqueta “provável esquema” já estaria colada há muito.

No limite, o T1 Phone está a funcionar mais como teste de fidelidade à marca Trump do que como hardware real. Pagas agora, esperas “um dia”. Para quem segue tecnologia, o interessante aqui não é o telefone em si, é o case study de como capital político e mediático pode ser usado para pôr pessoas a financiar um produto que continua, em grande medida, teórico.

Fonte: The Verge

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