CIêNCIA

Tesla reage a acidente mortal no Texas e culpa pé do condutor

Uma colisão fatal com um Model 3 reabre o debate sobre Autopilot e FSD. Tesla entra em modo defesa público raro, enquanto reguladores federais avançam com nova investigação.

Tesla reage a acidente mortal no Texas e culpa pé do condutor
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Um Tesla Model 3 atravessou uma casa de tijolo em Katy, Texas, matou uma mulher de 76 anos e reabriu, outra vez, o dossiê Autopilot. Em poucas horas, a narrativa nos EUA era familiar: mais um acidente grave com tecnologia avançada de assistência à condução no centro da polémica.

O condutor, Michael Butler, disse ao gabinete do xerife do condado de Harris que o carro seguia em Autopilot no momento em que saiu da estrada e embateu na casa de Martha Avila, que acabaria por morrer no hospital. Esse detalhe foi suficiente para transformar o caso em munição num debate que já dura há anos sobre Autopilot e Full Self-Driving (Supervised), o pacote mais avançado de assistência da Tesla que promete gerir rotas, direcção, mudanças de faixa e estacionamento, embora exija, em teoria, supervisão humana constante.

Desta vez, porém, a Tesla não ficou calada. A empresa que desmantelou o seu departamento de relações públicas há anos decidiu responder em público. Ashok Elluswamy, vice‑presidente de software de IA e primeiro engenheiro contratado para o Autopilot em 2014, recorreu ao X para dar uma versão bem diferente. Segundo ele, os dados mostram que o condutor “anulou manualmente a condução automática ao carregar no acelerador até 100% do curso do pedal” numa zona residencial, atingiu cerca de 73 mph, mais de 115 km/h, e manteve o acelerador carregado mesmo após o embate. Em resumo, o recado é simples: o pé humano, não o software, é o vilão.

Elon Musk tratou de amplificar a tese na sua própria conta no X. Argumentou que a alegação de Autopilot não faz sentido, porque o FSD conduz devagar em bairros residenciais e aqui estamos perante um choque a alta velocidade. É a linha de defesa habitual da marca, que insiste que são sistemas de assistência e não condução autónoma, apesar da escolha de nomes que, como lembrou um regulador na Califórnia, facilmente enganam consumidores. Não por acaso, a Tesla descontinuou o Autopilot básico em janeiro depois de o estado considerar o rótulo enganador.

Do outro lado, os reguladores federais não parecem dispostos a aceitar a narrativa da Tesla como ponto final. A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), agência federal de segurança rodoviária dos EUA, confirmou que abriu uma investigação especial ao acidente, mais uma numa lista que já passa de 40 inquéritos a sinistros envolvendo sistemas avançados de assistência da Tesla. As conclusões vão depender da análise detalhada dos registos de dados do veículo, algo que raramente é tão preto-no-branco como os tweets de Musk sugerem.

Para o leitor em Portugal, este choque do outro lado do Atlântico é mais do que drama americano. A forma como casos destes são investigados e julgados define o standard de responsabilidade para software de condução assistida que qualquer construtor, da Tesla às empresas que andam a vender promessas de táxis aéreos autónomos, terá de enfrentar. Por agora, uma coisa é certa: entre marketing agressivo e disclaimers jurídicos, quem fica no meio da confusão são os condutores, e quem paga o erro, como se vê no Texas, são sobretudo os peões.

Fonte: TechCrunch

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