Tablets Alexa da Amazon entram em campo contra o iPad
A Amazon largou o nome Fire, abraçou Android com Google Play e pôs a Alexa no centro de três novos tablets. O 12 Pro mira diretamente o iPad e os Galaxy Tab, com ecrã de topo e preço agressivo.
A Amazon largou o nome Fire, abraçou Android com Google Play e pôs a Alexa no centro de três novos tablets. O 12 Pro mira diretamente o iPad e os Galaxy Tab, com ecrã de topo e preço agressivo.
A Amazon farta-se oficialmente dos Fire Tablets e estreia uma nova família chamada, sem rodeios, Alexa Tablets. Segundo o The Verge, são três modelos pensados para duas missões claras: transformar a Alexa no centro da vida digital de quem compra e, desta vez, competir a sério com o iPad e com os Android de gama média/alta.
O corte com o passado começa no software. Os novos tablets correm Android completo, com acesso ao Google Play e às apps habituais, em vez da mistura algo claustrofóbica de Fire OS e loja própria que a Amazon empurrou durante anos. Há integrações profundas com Prime Video e compras no Amazon.com, claro, mas a base é finalmente um Android “normal”. Panos Panay, agora responsável máximo por hardware e Alexa, diz que ter Google Play era “necessidade, ponto final”. Para quem sempre viu os Fire como brinquedos baratos para streaming e pouco mais, isto é uma mudança de categoria.
A gama abre com o Alexa Tablet 8, de 8,7 polegadas, pensado sobretudo para leitura, e o Alexa Tablet 11, com 11 polegadas e foco em vídeo. Nos EUA começam respetivamente nos $229,99 (~210€) e $329,99 (~305€), posicionados de propósito contra o iPad Mini e o iPad base. À primeira vista, são os sucessores naturais dos velhos Fire, só que com hardware mais cuidado e sem o rótulo de “tablet low-cost para o sofá”. Mas o modelo que concentra o discurso da Amazon é outro.
O protagonista é o Alexa Tablet 12 Pro, um 12,5 polegadas que arranca nos $499 (~460€), com 8 ou 16 GB de RAM e 128 ou 256 GB de armazenamento, alimentado por um MediaTek Dimensity 8400. Nada de chocante nas especificações, mais próximo de um bom telemóvel de há um ano do que de um “monstro” de desempenho. O que a Amazon quer vender aqui é o ecrã: resolução 2800 x 1840, 120 Hz e até 500 nits de brilho, num formato 3:2 pensado para ter duas apps lado a lado de forma confortável. Panay fala do “one thing”, a tal característica em que não se corta, e aqui é claramente o painel.
Vista assim, a jogada é transparente. A Amazon percebeu que não chegava competir no fundo da tabela, onde até um iPad de geração anterior, em promoção, abana facilmente qualquer Fire. Agora aponta-se ao território dos Galaxy Tab e do próprio iPad Pro mais barato, com desenho mais fino, menos peso e um ecrã que, em papel, não envergonha ninguém nessa gama. Não é coincidência que surja pouco tempo depois de a Samsung ter puxado tamanho e ambição no Galaxy Tab S12 Plus.
Falta a peça que mais pesa a partir deste lado do Atlântico: não há ainda preço nem data para Europa, e a Alexa continua a ser um assistente fraco em português comparado com a concorrência. Um tablet que se vende como extensão da Alexa só faz sentido num mercado onde a assistente esteja madura, e isso não é o caso de Portugal. Mesmo assim, a mensagem estratégica é clara. A Amazon já não se conforma em ser a marca dos tablets de 100€ para ver desenhos animados. Quer entrar na conversa séria dos tablets “a sério”. Resta perceber se não chegou simplesmente tarde a um campeonato que hoje se joga sobretudo entre Apple, Samsung e meia dúzia de fabricantes chineses.
Fonte: The Verge
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