A Microsoft quer que o próximo portátil “para tudo” corra Windows e tenha um logótipo Surface na tampa. O Surface Laptop Ultra foi detalhado ontem e entra directamente na liga dos portáteis que fazem de estação de trabalho de IA, máquina de gaming e substituto de desktop. O preço acompanha a ambição, e aqui a empresa nem tenta fingir que está a falar para o utilizador médio.
Segundo o Gizmodo, o Surface Laptop Ultra foi apresentado como culminar de “décadas de experiência em portáteis” num só chassis. A ficha técnica segue o guião: chip Nvidia da linha RTX Spark com até 1 petaflop de desempenho em IA em FP4, memória unificada ecrã grande e fino o suficiente para caber em quase qualquer mochila. Na prática, é a versão Windows daquilo que a Apple tem feito com o MacBook Pro: um portátil caro que é suposto aguentar anos sem dar sinais de fraqueza.
Os números confirmam que este não é um Surface para curiosos. O modelo base começa nos $2.600, cerca de ~2.400€, com CPU de 18 núcleos, 24GB de RAM unificada e 512GB de SSD. Há opção de 1TB, mas o salto sério começa no modelo com CPU de 20 núcleos, que arranca nos $3.700, à volta de ~3.400€. A partir daí a memória escala para 32, 48, 64 e até 128GB e o preço máximo chega aos $5.900, algo como ~5.400€. Em troca tens o que, em teoria, é uma estação de IA local que ainda joga o próximo Gears of War: E-Day e o inevitável Call of Duty sem pedir desculpa aos fotogramas por segundo.
O resto do hardware acompanha a etiqueta premium. O portátil traz um ecrã táctil PixelSense Ultra de 15 polegadas com painel mini‑LED, que a Microsoft diz chegar aos 2.000 nits de brilho de pico em HDR. Tudo isto num corpo com menos de 18 mm de espessura e cerca de 2 kg, ligeiramente abaixo de um MacBook Pro de 16 polegadas. No evento, a marca também voltou a sublinhar o novo desenho térmico, com duas ventoinhas afinadas e grelhas laterais que funcionam ao mesmo tempo como colunas e exaustão, uma abordagem que não se vê nos designs mais conservadores de marcas como a Lenovo no Yoga 9i ou concorrentes directos da gama.
Há ainda detalhes que mostram como a Microsoft está finalmente a ceder em velhos vícios. O antigo conector Surface Connect desaparece e dá lugar a uma porta USB‑C magnética para carregamento, uma aproximação clara ao magSafe da Apple em tudo menos no nome. Os parafusos para abrir o chassis passam a estar escondidos debaixo dos pés de borracha, um truque que torna a máquina mais limpa por fora mas não necessariamente mais amigável para quem gosta de fazer upgrades. E o touchpad recebe o sistema háptico que a marca já tinha mostrado noutras linhas Surface, com feedback físico quando se alinha um objecto ou se arrasta algo, a meio caminho entre a vibração de um comando e o clique de um touchpad clássico.
Durante a apresentação, a Microsoft não fugiu ao tema gaming, sublinhando que estes RTX Spark não precisam de truques de emulação para correr os grandes jogos recentes. Na prática, quem compra uma máquina deste calibre para jogar está a pagar um sobrepreço razoável comparando com um portátil de gaming tradicional, em troca de mais bateria, construção mais discreta e um Windows 11 focado na produtividade que continua a precisar de ajustes manuais para não engordar com lixo ao fim de uns meses, como já se viu em guias para dar nova vida a PCs lentos. No fim, o Surface Laptop Ultra marca a entrada de Microsoft e Nvidia numa guerra de portáteis “tudo em um” que vai ser travada lá em cima, no estrato em que 5.000€ num portátil são despesa de empresa, não capricho de entusiasta.
Fonte: Gizmodo
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