Steam Frame custa mais de 1.000€ e volta a pôr a VR em causa
O novo headset da Valve é tecnicamente sólido e bem pensado, mas chega com um preço que encosta a realidade virtual outra vez ao canto dos nichos caros.
O novo headset da Valve é tecnicamente sólido e bem pensado, mas chega com um preço que encosta a realidade virtual outra vez ao canto dos nichos caros.
A Valve lançou o Steam Frame, o seu novo headset de realidade virtual, e o recado está logo na etiqueta: 1.089£ para o modelo de 1TB, cerca de 1.270€. A versão de 256GB fica por 889£, perto de 1.040€. Para um produto que vive em cima de jogos e apps da Steam, isto não é propriamente bilhete de entrada, é camarote VIP.
No hardware, a coisa está bem tratada. O Steam Frame é leve, anda ali pelo peso de uma lata de sopa, e distribui bem a tralha interna: bateria atrás da cabeça, ecrã à frente, o que reduz aquela sensação de capacete de mota barato que muitos headsets ainda têm. As lentes “pancake” dão uma imagem nítida assim que o pões, sem guerras com o foco. Os jogos correm fluidos, tanto em modo autónomo como a fazer streaming de um PC, que é o mínimo obrigatório a estes preços.
O problema é que o “mínimo obrigatório” custa agora mais de 1.000€. E nem estamos a falar do melhor ecrã do mercado. O PlayStation VR2, por exemplo, usa painéis OLED de grande qualidade, mesmo sem lentes pancake. A Apple e a Samsung também já provaram que sabem enfiar ecrãs de luxo num headset, embora aí o patamar seja outro: o Vision Pro anda perto das 4.000£, um valor quase abstrato para qualquer jogador comum. O Steam Frame posiciona-se bem abaixo disso, mas continua longe de ser um gadget que se compra como quem traz um comando novo para casa.
Há contexto para a escalada. A febre de IA enche centros de dados com servidores sedentos das mesmas peças que estes headsets precisam. A RAM mais do que duplicou de preço entre outubro de 2025 e o início de 2026, e as gráficas seguem a mesma curva. Jeremy Selan, da Valve, diz que a empresa “lutou” para chegar a este preço e que a ambição inicial era outra, mais acessível. A realidade do mercado empurrou o Steam Frame para esta prateleira alta, e o resultado é um aparelho tecnicamente competente que entra em casa quase ao preço de um bom PC de jogo em promoção.
Do outro lado há quem diga que o discurso do “VR é caro” está distorcido. Recorde-se que a Meta levou o Quest 3S para as 320£, com promoções a 250£, colocando um headset completo abaixo de consolas como a Switch 2, a Xbox Series S ou a PS5. É verdade: se o objectivo é apenas brincar em VR, não falta hardware mais em conta que o brinquedo novo da Valve. Mas essa comparação também expõe outro ponto: em 2023 o Quest 3 parecia marcar o momento em que a VR começava a descer à Terra; três anos depois, o Steam Frame mostra que a tendência voltou a ser para cima.
A explicação mais honesta continua a ser a do “nicho caro”. Como diz David Heaney, da UploadVR, isto está mais perto da era dos PCs dos anos 80 do que de um produto maduro de consumo. A diferença é que hoje o jogador médio tem consolas, portáteis decentes e até handhelds como a Switch 2 a disputar orçamento e atenção. Entre um headset de mais de 1.000€ e uma máquina que joga tudo no sofá, a escolha de quem vive em salários portugueses é fácil. A realidade virtual continua a prometer muito, mas a realidade das carteiras ainda manda mais.
Fonte: BBC
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