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Spotify lança Running Mode com playlists ao ritmo dos teus treinos

Novo modo de corrida usa IA para montar playlists por BPM, duração e tipo de treino, mas por agora deixa Portugal fora da lista.

Spotify lança Running Mode com playlists ao ritmo dos teus treinos

O Spotify voltou a olhar para quem corre com auscultadores nos ouvidos. O novo Running Mode já está disponível na app para iOS em alguns países e promete resolver o clássico zapping musical nos primeiros quilómetros: deixas de saltar faixas à procura do ritmo certo e passas a ter playlists montadas à medida do teu treino, gosto musical e batidas por minuto.

Na prática, é uma camada em cima da interface normal do Spotify móvel, com mais dados e controlos ligados à corrida. O serviço usa IA para gerar presets de corrida, uma evolução direta das Prompted Playlists que a empresa lançou no ano passado. Aqui, as “prompts” são de ginásio: escolhes géneros, duração do treino, BPM desejado e até método de treino, entre intervalos, ritmo constante ou pirâmide. O resultado são 25 presets de base que podes depois ir afinando.

Há também coaching opcional em áudio, em inglês, com indicações de tempo e motivação que aparecem por cima da música “sem se meterem no caminho”, como diz o marketing da empresa. A ideia é clara, ocupar o espaço que hoje anda disperso por apps de corrida, relógios desportivos e playlists improvisadas. Curiosamente, isto chega numa altura em que marcas de hardware como a Nothing e a Samsung apostam forte em wearables focados em fitness, de smartwatches a auscultadores desenhados para exercício, o que mostra bem a luta pelo teu pulso e pelos teus ouvidos.

Há um detalhe importante: o Running Mode exige subscrição Premium e, por agora, vive escondido no separador Fitness que o Spotify estreou em abril. Pior para nós, só está disponível nos EUA, Reino Unido, Canadá, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e Suécia. Nada de Portugal, nem resto da Europa continental, pelo menos para já. Se usas Spotify Premium em Lisboa, Porto ou Faro, continuas limitado às playlists de corrida clássicas e à tua própria paciência para as montar.

Há também uma escolha de design que vai dividir opiniões. O Spotify já tinha tentado agradar a quem corre em 2015, com o antigo Spotify Running, que lia o teu ritmo usando o hardware do telemóvel e ajustava automaticamente a música ao teu passo. Em 2018, matou a função. O novo Running Mode faz o contrário: em vez de detectar o teu ritmo, obriga-te a defini-lo à partida e constrói a playlist com base nisso. É menos mágico, mas também menos dependente de sensores e mais alinhado com a lógica “define o objetivo antes de começar” que vês em muitas apps de treino.

Para quem treina a sério, isto pode ser suficiente. Para quem gostava do truque quase sci-fi do Spotify Running original, sabe a regressão mascarada de IA. O que não muda é o padrão: mais uma função “inteligente” que chega primeiro a meia dúzia de mercados anglófonos e só depois, se der jeito ao roadmap, ao resto da Europa. Até lá, a combinação típica continua a mesma: app de corrida preferida, relógio que conta passos e playlists manuais no Spotify, um cenário que os gigantes do fitness digital parecem ter pouca pressa em simplificar para quem corre deste lado do Atlântico.

Fonte: The Verge

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