GAMING

Sony, Microsoft e Nintendo ficam com reembolsos das tarifas nos EUA

Fabricantes de consolas nos EUA lutam para não devolver milhões em tarifas ilegais. Na Europa, onde também pagámos aumentos, nem sequer há pote para discutir.

Sony, Microsoft e Nintendo ficam com reembolsos das tarifas nos EUA

Nos Estados Unidos, Sony, Microsoft e Nintendo estão em tribunal a dizer, preto no branco, que não devem um cêntimo aos clientes pelos reembolsos de tarifas que o governo lhes está a devolver. Os jogadores pagaram as consolas ao preço inflacionado pelas tarifas de Trump sobre hardware vindo da Ásia, as tarifas foram depois declaradas ilegais pelo Supremo, o Estado devolve o dinheiro às empresas, e agora uma série de ações coletivas tenta que parte desse bolo volte a quem comprou as máquinas.

Os argumentos das gigantes são reveladores. Os advogados da Sony dizem que os compradores “não sofreram qualquer dano cognoscível” porque pagaram voluntariamente o preço anunciado e receberam consolas que funcionam. A Microsoft foi ainda mais seca: “Ele pagou, recebeu e continua a usá-la”, lê-se num dos requerimentos. A Nintendo, que se mexeu primeiro em julho, sustenta que os próprios autores do processo admitem que os ajustes de preços foram legais. Moral da história, na visão das três empresas: negócio feito, assunto arrumado.

Os montantes em jogo não são trocos. A Sony espera cerca de 80 mil milhões de ienes, aproximadamente 510 milhões de dólares, de volta para o grupo. A Nintendo já registou um reembolso de 300 milhões de dólares. A Microsoft não revelou números. Tudo isto depois de, em 2019, as mesmas três companhias terem avisado Washington de que tarifas sobre consolas iam prejudicar o mercado. Agora que o dinheiro está a regressar, a conversa passou a ser outra. Pelo meio, retalhistas americanos como Walmart e Costco já disseram que planeiam passar as poupanças para os clientes, o que torna a posição das fabricantes de consolas ainda mais exposta.

Do lado de cá do Atlântico a história é mais simples, e menos simpática. Os preços também subiram na Europa, mas não por causa de tarifas, logo não há qualquer reembolso a circular. A Sony aumentou o preço da PS5 na Europa, Reino Unido e Austrália em abril de 2025, alegando inflação elevada e flutuações cambiais, apesar de esses mercados não estarem a pagar tarifas americanas. A Microsoft seguiu com a Xbox Series X, com subidas da ordem dos 200€, e a Nintendo fez o mesmo com a Switch 2 em maio. Quem comprou por cá pagou mais, ponto final, e não há fundo nenhum para disputar.

Desde junho de 2023 que a União Europeia tem a Diretiva das Ações Coletivas, que permite a entidades designadas avançarem com processos de defesa coletiva do consumidor, incluindo pedidos de reembolso do preço pago. Mas é preciso que exista uma infração concreta ao direito do consumo. Aumentar preços e culpar a inflação, por desagradável que soe, não chega para acionar esse mecanismo. Ou seja, enquanto nos EUA os jogadores pelo menos discutem dinheiro que está efetivamente em cima da mesa, na Europa o cenário é um aumento seco do preço de entrada na atual geração sem qualquer hipótese jurídica óbvia de o contestar.

É mais um capítulo na relação cada vez mais tensa entre grandes fabricantes e jogadores. Há poucos meses escrevíamos sobre jogadores a processar a Sony pela forma como vende jogos digitais. Agora o confronto é sobre quem fica com o ganho inesperado de tarifas declaradas ilegais. Tecnicamente, as empresas podem ter a lei do seu lado. Politicamente, a mensagem para quem comprou consolas durante uma crise de custo de vida é clara: o risco subiu para ti, a recompensa ficou deste lado.

Fonte: The Next Web

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0