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Signal testa contas sem número de telemóvel, mas pede 3 dólares

A app de mensagens mais obcecada com privacidade passa a aceitar registos sem número. Em troca pede um pagamento anónimo e mais responsabilidade do lado do utilizador.

Signal testa contas sem número de telemóvel, mas pede 3 dólares

O Signal está finalmente a testar aquilo que muita gente obcecada com privacidade pedia há anos: contas sem número de telemóvel associado. A novidade chegou à versão beta 8.28.1 da app para Android e muda uma das bases do serviço, que sempre usou o número como identificador principal.

Na nova beta, quem instala o Signal pela primeira vez vê logo na configuração inicial uma opção para se registar sem número. Em vez de escrever o número de telemóvel e receber um código por SMS, o utilizador paga uma taxa única de $3, recebe um ID de conta e uma palavra-passe, e é com isso que passa a entrar no serviço. O valor ronda os ~3€, mas para já estamos a falar de preço em dólares, sem qualquer detalhe sobre como isto será apresentado na Europa.

Três dólares para ter uma conta “sem número” pode soar a paywall, mas o argumento oficial é outro. Greyson Parrelli, o principal programador Android do Signal, explicou no fórum da comunidade que a taxa serve para levantar a fasquia para quem cria contas em massa, nomeadamente esquemas de spam e fraude. O raciocínio é simples: se for gratuito, um atacante automatiza o processo e despeja milhares de contas descartáveis na rede; se tiver de pagar por cada uma, a brincadeira fica cara. Aparentemente, o Signal prefere este mecanismo económico a filtros agressivos que abram brechas na privacidade.

A questão óbvia é: pagar não cria um novo rasto? Aqui o Signal tenta manter a fasquia alta. Parrelli diz que o sistema de pagamento usa as mesmas zero-knowledge proofs já empregues nas doações. Em resumo, a validação do pagamento é feita de forma criptográfica sem que o serviço saiba qual a conta final associada. Há um registo de que alguém pagou, mas não há um mapa entre o registo financeiro e o ID da conta. Isto não é perfeito no mundo real, onde o banco e a entidade de pagamento têm sempre metadados, mas é consistente com a filosofia do Signal de minimizar o que guarda do lado deles.

Há, no entanto, um preço menos óbvio: responsabilidade absoluta. Como estas contas não têm número de telemóvel associado, perder o ID ou a palavra-passe é fim de linha. Não existe recuperação por SMS, e-mail ou contacto com suporte. A recomendação é clara: guardar credenciais num gestor de palavras-passe decente e activar a nova autenticação de dois factores que o Signal passou a suportar para estas contas. Mais privacidade significa menos rede de segurança, e nem toda a gente está preparada para isso.

Depois de criada a conta, continua a ser possível definir um nome de utilizador, que é o que se passa a partilhar com contactos. Quem recusar ter username continua a poder falar com outras pessoas, mas só em conversas que inicie. Os outros não o conseguem encontrar. É coerente com a lógica de exposição mínima, embora complique um bocado a descoberta de contactos. A beta com registo sem número já está disponível via Play Store e GitHub, mas como sempre em beta convém lembrar: isto ainda pode mudar antes de chegar à versão estável. Para quem vive fora dos radares e já anda com o Signal instalado em tudo, é provavelmente a mudança mais relevante desde o encriptação ponta-a-ponta ter virado moda de marketing nas outras apps.

Fonte: Android Authority

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