Shotwell 0.33 traz GTK4 e afina-se para o GNOME moderno
Depois de anos em banho-maria, o gestor de fotos clássico do GNOME passa para GTK4, melhora o suporte Wayland e tenta provar que ainda há espaço fora das nuvens.
Depois de anos em banho-maria, o gestor de fotos clássico do GNOME passa para GTK4, melhora o suporte Wayland e tenta provar que ainda há espaço fora das nuvens.
Shotwell 0.33 está finalmente cá fora e o destaque é simples: a aplicação foi portada para GTK4. Para quem vive em GNOME e continua a gerir fotos localmente, isto é menos um fósforo preso em GTK3 e mais uma peça do desktop a alinhar-se com 2026.
O salto para GTK4 não é só cosmética. Traz uma interface mais limpa, melhor integração com o tema do ambiente de trabalho e, sobretudo, compatibilidade mais decente com Wayland. Coisas que pareciam detalhe, como arrastar e largar fotos para fora da app ou tirar partido dos portais modernos do desktop, deixam de ser um exercício de paciência. Num contexto em que o GNOME empurra cada vez mais para Wayland por omissão, manter um gestor de fotos preso a toolkits antigos não fazia sentido.
Shotwell 0.33 aproveita a cirurgia para acrescentar utilidades mais mundanas mas importantes. Há agora um resumo de atalhos de teclado, exportação de imagens afinada, suporte de impressão refeito e toasts a substituir diálogos simplistas. Pequenas coisas que contam quando se está a organizar centenas de fotos numa máquina que não é um colosso. O suporte para abrir URIs diretamente no visualizador também aproxima Shotwell de fluxos mais modernos, por exemplo a partir de outras apps de desktop.
Por baixo do capot, o foco esteve na publicação e no controlo. O módulo de envio para serviços externos abandona um helper dedicado e passa a usar um servidor web simples em localhost para autenticação, uma abordagem mais transparente e alinhada com o que outros clientes já fazem. Foram reintroduzidas funcionalidades baseadas em arrastar-e-largar, adicionada informação de sistema no modo de visualização, um ícone de “espreitar palavra-passe” na exportação para Piwigo e melhor navegação por tabuladores. Há também mais informação de debug no diálogo Sobre, que interessa pouco ao utilizador comum mas muito a quem mantém o projecto vivo.
A lista de correções de erros é longa, o que diz muito sobre o estado em que o código estava. Coisas como a barra de ferramentas a desaparecer mal se entra em ecrã inteiro, ícones que somem no modo de slideshow, problemas a definir fundos de ambiente de trabalho, envios que falham quando se escolhe demasiadas imagens, espaçamentos toscos em diálogos de edição ou nomes de faces que não assentam como devem. Até o comportamento do botão “discard” em modo de visualização foi acertado, depois de algum tempo a não descartar grande coisa. Não é glamoroso, mas é isto que faz software de desktop respirar.
Para quem usa distribuições populares, Shotwell 0.33 deve chegar progressivamente aos repositórios estáveis, e já está disponível como Flatpak no Flathub. Em muitos sistemas GNOME vem pré-instalado, o que significa que esta limpeza de fundo vai aterrar automaticamente em bastante gente que nunca escolheu explicitamente o gestor de fotos. Numa altura em que a pressão para empurrar fotos para serviços proprietários e nublados só aumenta, saber que ainda há um gestor local a receber amor e GTK4 lembra um pouco o regresso do GEM em cima de Linux: não é nostalgia vazia, é insistência em manter o desktop nas mãos de quem o usa.
Fonte: 9to5Linux
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