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Roubo de portáteis corta as pernas a vários expositores na Gamescom

Ladrões entraram em stands na área de negócios da feira de Colónia e levaram portáteis com builds de jogos ainda em desenvolvimento. Para alguns indies, o evento acabou ali.

Roubo de portáteis corta as pernas a vários expositores na Gamescom

Na madrugada em que deviam estar a afinar builds e trailers, vários estúdios acordaram na Gamescom com outra realidade: portáteis desaparecidos dos seus stands em Colónia. Não foi um caso isolado, foi uma série de roubos na área de negócios da feira, onde estão precisamente as máquinas com código, demos privadas e versões ainda frágeis de jogos que só deviam existir ali.

O caso mais exposto é o de Ryan Laley, developer a solo do assimétrico de terror de sobrevivência Mimic. Numa mensagem em vídeo publicada no X/Twitter, Laley explicou que o seu stand foi arrombado durante a noite. Ficaram os carregadores, desapareceram os portáteis. Para quem está sozinho e paga tudo do próprio bolso, isto não é só um susto, é um rombo financeiro e emocional que, nas palavras dele, encurta a participação na feira antes do tempo.

Laley diz já ter apresentado queixa à organização da Gamescom, à segurança da Koelnmesse e à polícia alemã. Mas não espera rever o equipamento. Para um estúdio grande, perder dois ou três portáteis é um problema logístico. Para um indie a solo, é potencialmente perder o hardware de trabalho principal e as máquinas de demonstração numa única noite. A parte irónica é óbvia: a zona de negócios existe para encontros “protegidos” com imprensa e parceiros, com segurança dedicada.

O impacto não ficou por um pequeno stand. A iam8bit, que estava a mostrar jogos como Petal Runner e Escape Academy 2 a imprensa e criadores de conteúdo, relata o roubo de dois portáteis na mesma área. Além do caos na agenda de reuniões, há um risco que qualquer estúdio teme: builds internas e inacabadas destes jogos podem agora sair para fora de controlo. Não é só o hardware. É a perceção pública de um jogo que ainda não está pronto a ser julgado numa fuga aleatória.

Curiosamente, a resposta mais rápida e visível não veio da organização da feira, mas de outro estúdio. A CD Projekt Red, casa de Cyberpunk 2077, respondeu publicamente ao apelo de Laley, a prometer ajuda em hardware e a lembrar que ele não está sozinho. É um gesto simpático e serve também de declaração política: se a infraestrutura da maior feira de videojogos da Europa falha, a comunidade tenta tapar o buraco. Mas solidariedade no X não substitui protocolos de segurança e indemnizações claras.

Para quem vê a Gamescom como um rito anual da indústria, este tipo de incidente lança uma pergunta menos confortável: até que ponto compensa a uma equipa pequena gastar milhares de euros em viagens, alojamento e montagem de stand, se nem o básico, guardar portáteis durante a noite, está garantido. Se a organização não responder com medidas concretas e transparência, arrisca-se a perder precisamente quem mais precisa destas feiras, os indies que não têm outra montra.

Fonte: Eurogamer

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