Raspberry Pi lança jig de 600 dólares para programar CM5 em série
Novo Programming Jig junta host e interface num só bloco para preparar lotes de Compute Module 5 sem PC dedicado. Menos cabos, mais dinheiro em cima da mesa.
Novo Programming Jig junta host e interface num só bloco para preparar lotes de Compute Module 5 sem PC dedicado. Menos cabos, mais dinheiro em cima da mesa.
Há um novo tijolo preto no catálogo da Raspberry Pi. Chama-se Compute Module 5 Programming Jig, custa 600 dólares, algo como ~550€, e existe para uma coisa só: enfiar módulos CM5 de um lado, tirar do outro com sistema operativo e configuração de segurança já tratada. Sem placa de IO pendurada, sem PC ou outro Raspberry Pi à volta.
Até aqui, quem andava a montar lotes de Compute Module 5 tinha duas dores: automatizar o software e arranjar uma forma física de ligar cada módulo. A parte do software já estava em grande parte resolvida com o rpi-sb-provisioner, que trata da instalação do sistema operativo e hardening básico. Faltava o ferro. A solução típica passava por uma placa de IO ligada a outro Pi ou a um PC, mais cabos, mais improviso de bancada.
O Programming Jig pega nesse caos e condensa-o numa caixa de quase 1,8 kg com controlador integrado e interface por pogo-pins. Prende-se um CM5 na garra, fecha-se a tampa e o provisioning arranca sozinho. Em cenários típicos, em cerca de 90 segundos o módulo está pronto, um LED verde acende e entra o próximo da pilha. É linha de produção manual, mas sem o ritual de cabos, monitores e teclados a dançar à volta de cada placa.
Para quem só tem um par de Compute Modules em casa, isto é claramente excesso de zelo. A própria Raspberry Pi continua a vender a placa de IO, muito mais barata, pensada para desenvolvimento e prototipagem, e que também pode ser usada para provisionar, com mais paciência e algum script à mistura. O Jig é outra coisa: uma ferramenta industrial, feita para quem olha para uma caixa cheia de CM5 que vão parar a painéis, quiosques, gateways de IoT ou soluções mais exóticas como os projectos de deteção sem contacto tipo o WifiSense-Pi, onde a escala começa a doer.
A configuração inicial também não foge ao universo Pi: escreve-se o sistema operativo do jig e a configuração base com o Raspberry Pi Imager, depois usa-se o serviço Connect para aceder ao ambiente de trabalho remoto e carregar as imagens que se querem disparar para os CM5. A partir daqui, a operação passa a ser quase mecânica, clamp, flash, repete. Não há aquele “ping” satisfatório de linha de montagem quando termina, mas alguém acabará por colar um buzzer ou um script mais falador em cima disto.
O preço é o ponto que divide opiniões. ~550€ por um tijolo que aceita um único módulo de cada vez é pesado para laboratórios pequenos ou makerspaces. Para integradores que facturam soluções completas, o custo desaparece rapidamente no orçamento, sobretudo se reduzir erros de provisioning feitos à mão e acelerar a rotação de lotes. A jogada da Raspberry Pi é clara: vender não só o cérebro (o CM5), mas também a ferramenta de linha de produção. Quem anda em IoT a sério em Portugal, entre armários de rede, caixas estanques e contratos de manutenção, vai perceber depressa se este jig é um luxo dispensável ou uma forma sensata de domesticar a pilha de módulos à espera de destino.
Fonte: The Register
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