Problemas no LINK atrasam resgate do observatório Swift para final de agosto
A Katalyst Space está a conseguir travar a rotação do seu rebocador orbital, mas cada dia perdido aproxima o Swift da reentrada descontrolada na atmosfera.
A Katalyst Space está a conseguir travar a rotação do seu rebocador orbital, mas cada dia perdido aproxima o Swift da reentrada descontrolada na atmosfera.
O plano era simples no papel: lançar um pequeno rebocador espacial, aproximar-se do Neil Gehrels Swift Observatory, agarrá-lo e puxá-lo para uma órbita mais alta. Na prática, o LINK, da Katalyst Space, saiu da fase de comissionamento a rodopiar e obrigou a NASA a aceitar mais um adiamento. O encontro, que já foi urgente em junho, passa agora para o final de agosto.
A Katalyst confirmou o deslize de calendário numa atualização recente, onde explica que conseguiu reduzir a rotação do LINK de 9 para cerca de 4 graus por segundo, usando os propulsores elétricos. É um progresso real, mas longe do controlo fino esperado de um veículo que precisa de se encostar com precisão a um telescópio de 1,5 toneladas sem o partir. Pior, dois dos três reaction wheels, os volantes de inércia que deviam fazer esse trabalho com elegância, estão inoperacionais.
Perante isto, engenheiros da Katalyst e da NASA estão a desenhar um novo controlador de atitude, adaptado a um veículo com metade das ferramentas que devia ter. Primeiro no simulador, depois no espaço. É o tipo de engenharia em tempo real a que a agência já nos habituou desde o fim do Shuttle, quando começaram as missões de extensão de vida feitas com fita-cola matemática e engenho, como contámos em há 15 anos que o último Shuttle pousou. Só que agora o relógio orbital está particularmente impiedoso.
O Swift já ultrapassou largamente a sua missão primária e continua a ser relevante em astrofísica de altas energias, mas a órbita está a ceder. O satélite não se consegue reboostar sozinho. Em janeiro, quase todos os modelos da NASA apontavam para uma reentrada até ao verão de 2026. Para ganhar margem, a agência interrompeu a maior parte das operações científicas em fevereiro, transformando o observatório numa espécie de paciente em repouso absoluto à espera de cirurgia.
As previsões mais recentes dão algum fôlego: o Swift deverá descer abaixo dos 300 km de altitude por volta de novembro, a partir daí levantar a órbita complica-se bastante. O plano continua a ser o mesmo, o LINK aproximar-se, inspeccionar o telescópio, agarrá-lo e empurrá-lo lá para cima. Só que agora cada dia passado a domar a rotação do rebocador é um dia a menos antes de a atmosfera começar a cobrar juros pesados.
Há aqui dois testes em simultâneo. Um tecnológico, ao modelo de “assistência em órbita” que um dia pode ser banal, desde reabastecer satélites de comunicações até rebocar lixo espacial. E outro político, à disposição da NASA em confiar num parceiro comercial jovem para salvar um observatório valioso. Se o LINK conseguir estabilizar-se, ganhar a aprovação da agência para o novo plano e chegar ao Swift a tempo, a ideia de manutenção orbital ganha estatuto. Se falhar, confirma-se que pôr reboques no espaço é bem mais difícil do que encher o céu com constelações, como a Amazon se prepara para fazer com o seu Kuiper, e o Swift junta-se à longa lista de hardware científico que a gravidade acabou por reclamar.
Fonte: The Register
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