A Google acaba de batizar uma nova espécie de portátil. Chama‑se Googlebook e nasce logo com cinco modelos, um de cada parceiro clássico: Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo. Entram hoje em pré‑venda e chegam às lojas a 4 de outubro, com preços de $899 a $1.299, algo como ~830€ a ~1.200€ antes de impostos e conversões europeias. Em cheio no território do MacBook Air e dos ultrabooks Windows.
O pacote não vive só de hardware. Cada Googlebook inclui 12 meses de Google AI Pro com 5TB de armazenamento em cloud, mais três meses de YouTube Premium, Adobe Photoshop e CapCut. A Google também promete até 10 anos de atualizações, um número que envergonha boa parte do mercado de PCs portáteis. Nas contas do The Verge, esta combinação de subscrições e suporte prolongado é a forma da empresa justificar preços que já não têm nada de “acessíveis” no velho sentido Chromebook.
O Acer Googlebook 14 é o mais distinto do grupo, por ser o único conversível 2‑em‑1 desta primeira vaga, num formato parecido ao Chromebook Plus Spin 714. Traz ecrã OLED tátil de 14 polegadas com resolução 2,8K, espessura de 13,9 mm e cerca de 1,13 kg. Por dentro há processadores Intel Core Ultra 5 ou Ultra 7, 16GB de RAM, 256 ou 512GB de armazenamento, Thunderbolt 4, duas portas USB‑C, entrada de auscultadores e sensor de impressões digitais. Segundo o que a Acer disse ao The Verge, o preço de arranque de $899 é um valor “inicial” para tempo limitado, sujeito a revisões consoante a escassez de RAM e outros componentes.
Este detalhe de bastidores não é inocente. A mesma pressão sobre memória já fez subir o preço do MacBook Neo e de outros portáteis, como tem vindo a ser relatado pela imprensa. A mensagem é simples, mesmo que ninguém a assuma em palco: quem quiser entrar cedo no mundo Googlebook paga menos, quem adiar arrisca um portátil praticamente igual por mais dinheiro. Num segmento onde já existem máquinas como o XPS 13 da Dell a tentar ser o anti‑MacBook Neo barato, a Google parece mais interessada em criar uma linha “premium com IA” do que em disputar o preço por euro investido.
Falta ver como se posicionam os modelos de Asus, Dell, HP e Lenovo em termos de peso, qualidade de construção e autonomia, porque no papel todos seguem a mesma receita: ultrabooks finos com chips recentes, boa dose de RAM, SSDs respeitáveis e teclas rápidas para os truques de IA da Google. A verdadeira diferença poderá estar na seriedade dos tais 10 anos de atualizações. Se a promessa se cumprir, um Googlebook comprado em 2026 ainda terá suporte em meados da década de 2030, algo raro num portátil Windows e que só alguns Chromebooks empresariais se aproximam de oferecer.
Por agora, a pergunta mais pragmática é outra: faz sentido pagar preço de MacBook Air por hardware que ainda não provou se a integração de IA e o suporte a longo prazo compensam? A Google quer que se acredite que sim, mas a história dos Chromebooks cheios de potencial mas abandonados cedo demais ainda pesa. A marca Googlebook nasce com ambição e números bonitos no slide, só lhe falta demonstrar que não é mais um rebranding caro que daqui a uns anos fica sem atualizações à primeira mudança de estratégia.
Fonte: The Verge
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