CIêNCIA

Pentágono larga quarta fornada de ficheiros sobre OVNIs

São 40 novos ficheiros, de vídeos recentes a conferências de 1949, com relatos de objectos silenciosos sobre bases nucleares e formas estranhas sobre o mar da China.

Pentágono larga quarta fornada de ficheiros sobre OVNIs

O Pentágono publicou mais uma tranche de ficheiros sobre OVNIs, agora baptizados de fenómenos anómalos não identificados. São 40 novos itens, entre documentos, vídeos infravermelhos, áudios e imagens, vindos não só do Departamento de Defesa como também da NASA, CIA, FBI e Departamento de Energia. É a quarta leva sob o decreto assinado por Donald Trump no início do ano, que obrigou a libertar material classificado sobre o tema.

O caso mais desconfortável para qualquer espírito racional continua a ser o mesmo de sempre: objectos desconhecidos perto de coisas que nenhum país gosta de ver em risco. Um dos documentos mais relevantes descreve a intrusão de um objecto não identificado no espaço aéreo de Pantex, uma instalação de armas nucleares perto de Amarillo, no Texas, em 2015. Dois agentes seguiram o alvo, com a base em modo de encerramento. Não ouviram ruído, não viram qualquer sistema de propulsão através de binóculos, e o objecto afastou-se calmamente em direcção ao norte ao fim de um ou dois minutos. Se foi um drone, foi um drone muito estranho a operar sobre uma das áreas mais sensíveis dos EUA.

Cerca de metade dos novos ficheiros é posterior a 2010 e vem com vídeo captado por sensores militares. As imagens, em infravermelhos e baixa resolução, mostram pontos e formas pouco espectaculares, mas os relatórios que as acompanham são menos banais. Sobre o Atlântico, em 2020, um membro de uma tripulação da Marinha descreve um objecto de cor vinho, com 3,5 a 4,5 metros de altura, a parecer um grande balão deformado. O relato está fortemente rasurado, mas fica claro que ninguém a bordo saiu com uma explicação minimamente sólida do encontro.

Outro debrief, de 2019, é o mais citado porque mexe com o orgulho profissional: um aviador com 28 anos de serviço entre Força Aérea e Marinha escreve que viu algo com “características de voo diferentes de tudo” o que conhecera. Um objecto pequeno, a passar em sentido contrário, a alta velocidade, seguido durante alguns segundos até se ligar o gravador. Quando fez zoom, o alvo saiu do campo de visão e não voltou a ser apanhado. Na análise posterior, parecia rectangular. Vários elementos experientes olharam para aquilo e ninguém arriscou rótulo.

Os casos mais recentes vêm de 2025, sob o comando Indo-Pacífico, sobre o mar Amarelo e o mar da China Oriental. Um vídeo mostra os sensores a seguirem uma área de contraste em forma de estrela de seis pontas, outro acompanha um objecto durante minutos. Sem contexto, seriam só mais clips granulosos a alimentar canais de YouTube. Com o selo oficial e a pressão política em Washington para mostrar resultados, tornam-se munição nas guerras internas entre quem quer fechar o assunto como “balões e lixo aéreo” e quem quer uma nova linha de orçamento para caçar anomalias.

Os ficheiros históricos completam o quadro com uma transcrição de uma conferência de 1949 em Los Alamos, reunindo físicos ligados ao Projecto Manhattan para falar de “fenómenos aéreos”. Não há aqui discos voadores elegantes, há burocracia, formulários padrão como os range fouler debriefs da Marinha, e discussões técnicas sobre intrusões em espaço aéreo controlado. O que sai desta quarta fornada não é prova de vida extraterrestre, é prova de que o complexo militar e de segurança dos EUA tem um problema recorrente: coisas a voar onde não deviam, que não consegue classificar com confiança. O resto é ruído e política.

Fonte: CBS News

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