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Peloton lança passadeira dobrável e aposta tudo na IA de treino

A Tread Flex é a primeira passadeira dobrável da Peloton e o modelo mais barato da marca. Chega com mais duas máquinas e um pacote agressivo de ferramentas de IA para tentar voltar a contar no fitness em casa.

Peloton lança passadeira dobrável e aposta tudo na IA de treino
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

A Peloton quer voltar a caber na sala de estar e no orçamento de quem treina em casa. Segundo o CNET, a marca apresentou a Tread Flex, a sua primeira passadeira dobrável e também a mais barata do catálogo, por $2.200, cerca de 2.000€. É um de três novos modelos que chegam já a 1 de outubro e que vêm acompanhados de mais ferramentas de IA para personalizar treinos.

O trio é composto pela Tread Flex, pela Tread Vision, a 3.500€ (~3.200€), e pela Tread Plus Vision, que dispara para os $6.700, perto de 6.200€. A Flex é a estrela mediática porque resolve o problema óbvio de qualquer passadeira: ocupa demasiado espaço. A Peloton diz que este modelo dobra para 50% da área de chão, algo relevante para quem vive em apartamentos pequenos e não tem um ginásio privado em casa.

Há um detalhe importante: a própria empresa assume que a Tread Flex é mais indicada para caminhadas, hiking e exercício de menor impacto do que para quem passa a vida a fazer séries de corrida. Traduzindo, o corte de preço e o mecanismo dobrável também significam uma máquina menos pensada para treinos agressivos. A leitura é simples, a Peloton quer ir buscar o utilizador que hoje talvez olhe para uma pulseira tipo Whoop ou para um relógio de corrida e ache que uma passadeira dedicada é exagero.

No segmento acima, a Tread Vision mira quem corre mais a sério. Inclui um ecrã de 23,8 polegadas que roda, colunas afinadas pela Sonos e uma câmara integrada. Essa câmara liga-se a uma das novas funções de IA do pelotão digital da marca, o Run Analysis, que avalia a técnica de corrida e devolve correções. No topo está a Tread Plus Vision, descrita pela empresa como pensada para treinos de alto volume e atletas de elite, com sistema de slat-belt e rolamentos, e acesso a todas as novas ferramentas de IA da plataforma Peloton IQ.

O contexto ajuda a perceber o movimento. A Peloton foi um símbolo do boom do fitness em casa durante a pandemia, com receitas a chegar aos 4 mil milhões de dólares em 2021, lembra o CNET. Depois veio o choque de realidade: regressos ao ginásio, menos compras de hardware, recalls de segurança e uma ação que caiu de mais de $150 para cerca de $5. Perante máquinas encalhadas, a empresa virou-se para as subscrições da app, que hoje já representam quase 70% da receita e permitiram anunciar 2026 como o primeiro ano completo com lucro líquido.

A nova geração de passadeiras é, portanto, menos sobre metal e mais sobre software. A IA entra para tentar justificar o preço com métricas, análise de movimento e planos dinâmicos, num caminho que também se começa a ver em wearables e até em gadgets de casa inteligente. A dúvida é se uma passadeira de 2.000€ ou mais, ainda por cima sem qualquer presença oficial em Portugal ou na maior parte da Europa, consegue competir com um telemóvel, um relógio e uma mensalidade de ginásio. A Peloton está a apostar que sim. O mercado de 2026 já não é o de 2020, e desta vez não há confinamento a empurrar ninguém para dentro de casa.

Fonte: CNET

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