A Samsung vai usar IA para tornar o rastreio de apneia do sono bem mais detalhado nos seus wearables, mas só se tiveres um Galaxy Watch recente ou o novo Galaxy Ring. A empresa confirmou que a funcionalidade melhorada estreia em novembro nos Galaxy Watch Ultra 2, Galaxy Watch 9 e no anel, deixando uma boa parte dos relógios antigos de fora.
Segundo o Android Police, a marca sul-coreana anunciou que o Ministério da Segurança Alimentar e dos Medicamentos aprovou a nova versão da ferramenta de apneia do sono na Coreia do Sul, seguindo-se à autorização da FDA, a autoridade reguladora norte‑americana, em julho deste ano. A partir daqui já não há desculpa regulatória: é uma escolha de produto.
O que muda é o cérebro por trás das medições. A Samsung fala de um algoritmo de IA que analisa interrupções respiratórias ao longo da noite e passa a classificar a apneia em três níveis: ligeira, ocasional e frequente. Hoje, os Galaxy Watch com apneia do sono apenas sinalizam a possibilidade de um problema, sem grande noção da gravidade. Para quem anda há meses a tentar perceber se aqueles engasgues noturnos são preocupantes, esta nuance pode fazer a diferença na altura de procurar um médico.
Tal como na versão atual, a ferramenta baseia‑se em duas sessões de sono de pelo menos cinco horas cada, dentro de um período de dez dias, para gerar um relatório quer no relógio quer na app Samsung Health. A diferença é que agora esse relatório passa a ter uma espécie de “escala de semáforo” da apneia do sono, em vez de um simples aviso genérico.
Na prática, a Samsung está a alinhar‑se com o que o Apple Watch já oferece: o relógio da Apple também faz deteção de apneia com categorias de risco, embora peça cerca de 30 dias de dados antes de apresentar conclusões. O lado menos simpático para quem tem um Galaxy no pulso é a forma como a marca decidiu limitar o acesso à tal IA, usando o argumento de que é preciso hardware de nova geração.
De acordo com a notícia, a atualização com a nova deteção de apneia chega primeiro à Coreia do Sul em novembro, para os Galaxy Watch Ultra 2, Watch 9 e Galaxy Ring. Com a aprovação da FDA já garantida, o passo lógico é estender a mesma versão aos EUA em dezembro ou, no limite, no início de 2027. Para os restantes mercados, Europa incluída, o histórico de lançamentos da Samsung em saúde aponta para um alargamento durante o primeiro trimestre de 2027, mas continua sem haver datas fechadas.
A funcionalidade deverá vir integrada na One UI 9 Watch, que ainda está em beta, embora o Android Police admita que os modelos mais antigos possam receber o novo modo de apneia através de um firmware separado. A Samsung não detalhou exatamente que relógios ficam dentro ou fora deste pacote, o que deixa no ar a sensação de que a fronteira entre “suportado” e “obsoleto” é mais comercial do que técnica, até porque o Galaxy Ring, minúsculo, entra para a lista dos compatíveis sem problemas.
O caso não é isolado. A marca tem vindo a usar a saúde e a IA como argumentos fortes para empurrar upgrades em toda a gama Galaxy, dos relógios aos telemóveis, como se viu quando decidiu cortar a produção de modelos Galaxy A para focar recursos em equipamentos com mais funções de IA. A nova apneia do sono entra nesse pacote: útil na prática, mas cuidadosamente guardada para quem entra na geração mais recente.
Para quem já investiu num Galaxy Watch relativamente recente, isto soa a déjà‑vu. A infraestrutura de sensores pouco mudou nos últimos anos e ainda assim há funcionalidades como esta, centradas em software, que ficam presas atrás da barreira do modelo do ano. A Samsung está a construir um argumento forte em saúde no pulso, mas cada vez que fecha uma destas portas nos relógios velhos, lembra aos utilizadores que o relógio inteligente é menos um instrumento médico e mais um bilhete de época, com data de validade implícita.
Fonte: Android Police
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