OpenShot 4.0 chega com gravação integrada e novas ferramentas de cor
O editor de vídeo open source ganha gravação multi‑fonte, scopes decentes e efeitos de áudio e cor que o aproximam das opções pagas. Continua grátis e multiplataforma.
O editor de vídeo open source ganha gravação multi‑fonte, scopes decentes e efeitos de áudio e cor que o aproximam das opções pagas. Continua grátis e multiplataforma.
O OpenShot 4.0 já está disponível e é a maior atualização em muito tempo deste editor de vídeo open source que muitos descartam depressa demais. Continua gratuito, corre em GNU/Linux, macOS e Windows, e nesta versão começa finalmente a comportar-se como um estúdio de edição minimamente moderno.
A grande novidade é a nova Recording View, com um painel dedicado para gravação de ecrã, webcam e áudio. No Linux, há suporte para gravação de ecrã e webcam em sessões Wayland via portais de desktop, o que interessa a quem já abandonou o X11 nas distros mais recentes. Há ainda gravação multi‑fonte em tempo real com pré-visualização na timeline enquanto se grava, algo que até aqui obrigava a malabarismos entre aplicações.
As gravações passam a ser guardadas como assets do projeto, o que simplifica organização, e o áudio ganha representação de forma de onda mais séria, com picos e RMS detalhados, útil para quem ajusta níveis a olho. O sistema consegue ainda capturar áudio do sistema diretamente nas gravações de ecrã. Do lado dos efeitos surge um novo Object Mask alimentado por EfficientSAM, com menu “Mask: Source” para efeitos com tracking. Não é magia de Hollywood, mas é IA a entrar discretamente num editor que vive de voluntariado.
No som, o OpenShot 4.0 adiciona um denoiser para reduzir ruído e uma opção de melhorar voz. Há vários templates ComfyUI pensados para isto: Reduce Noise, Enhance Voice, Improve Audio Resolution e Repair Audio. Para quem grava podcast ou vídeo com micro barato, isto pode ser a diferença entre algo publicável ou não. Na cor, aparece um efeito Color Grade com rodas de cor totalmente animáveis por keyframes e editor de curvas, uma linguagem que quem vem de DaVinci ou Premiere já conhece.
Chegam também docks de análise que o projeto andava a dever há anos: Vectorscope, Luma Waveform, Histogram e um painel de Audio Levels, mais uma Analysis View dedicada. Há presets de cor de um clique, como Reset Color, Auto Contrast, Lift Shadows, Warm Up e Boost Color, e presets de “Look” como Analog Tape, Sharpen, Blur, Shadow e Glow. Juntam-se novos efeitos visuais e de áudio, incluindo Film Grain com vários perfis (35mm, 16mm, Super 8, High ISO), Shadow and Glow, Denoise de vídeo, Displacement Map, Beat Sync e Audio Visualization, além de presets de movimento como Blur + Wipe, Focus Wipe In/Out e Smart Camera.
Na ergonomia, há pequenos toques que contam: campo de timecode editável diretamente na régua da timeline, scroll lateral com inclinação da roda do rato, menus de contexto dedicados a keyframes, menu “My Views” para gerir layouts, e fechar docks com clique do meio. Até há suporte para Android, ainda muito verde, mas que mostra ambição para escapar ao desktop clássico onde o OpenShot sempre viveu. Continua a não ser um substituto óbvio de suites profissionais, mas para quem quer editar sem pagar subscrição mensal e prefere software livre, esta versão 4.0 dá-lhe argumentos muito mais sólidos.
Fonte: 9to5Linux
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