IA

OpenAI prepara corte agressivo nos preços dos tokens

Altman admite que o uso de tokens é “enorme problema” para empresas. OpenAI quer baixar preços para travar Anthropic e responder à fadiga de gastos em IA.

OpenAI prepara corte agressivo nos preços dos tokens

A OpenAI está a preparar cortes significativos nos preços dos seus tokens de IA para empresas, segundo o Wall Street Journal. Não é altruísmo súbito, é sobrevivência num mercado onde Anthropic cresce e os CFOs já olharam para a fatura de IA com ar homicida.

O alvo são os tokens, a unidade com que se mede e cobra o uso de modelos como o GPT‑5.5 Pro. Em vez dos planos de subscrição mensal com limites rígidos, a maioria dos clientes empresariais usa faturação ao consumo. Sam Altman admitiu num evento recente que os custos dos tokens se tornaram um “enorme problema” para estas empresas, ao ponto de já ser um meme: equipas que estouram o orçamento inteiro de IA no primeiro trimestre e depois vão pedir piedade ao fornecedor.

O fenómeno até já ganhou nome próprio: “tokenmaxxing”. Grandes tecnológicas começaram a incentivar internamente o uso intenso de ferramentas de IA e a medir produtividade pelo número de tokens gastos. Resultado previsível: orçamento queimado cedo. O CTO da Uber contou em abril que a empresa já tinha torrado o orçamento de 2026 para tokens. Houve relatos de funcionários na Amazon e na Meta a usarem ferramentas internas de IA para tarefas triviais, só para subir nos rankings internos de consumo. Quando a métrica é o uso, a racionalidade vai pelo ralo.

É neste contexto que a OpenAI pondera cortar preços. Não se sabe ainda se o corte será transversal a todos os modelos nem como vai ser implementado. Mas a motivação é clara. OpenAI e Anthropic querem ir a bolsa ainda este ano, precisam de mostrar crescimento de utilizadores sem matar as margens, e a concorrência também está a mexer-se. O Google reduziu o preço do plano Gemini AI Plus, que dá acesso ao Gemini 3 Pro e à ferramenta de geração de imagem Nano Banana Pro, de 8$ para 5$ por mês, e ainda dobrou o armazenamento no Google Drive. Fica abaixo do nível mais barato do ChatGPT Go, que continua a 8$ mensais.

Para quem está em Portugal e usa estas ferramentas via faturação ao consumo, a pressão é real. Pequenas e médias empresas que experimentaram integrar IA generativa em fluxos de suporte, marketing ou código descobriram depressa que a linha “IA” no orçamento cresce mais depressa do que o retorno mensurável. Sem preços mais baixos e modelos mais eficientes, a aposta em IA passa de “estratégica” a “experiência cara” em poucos trimestres. A OpenAI sabe isto e prefere cortar no preço antes que os clientes comecem a desligar endpoints.

Se estes cortes forem agressivos, o efeito colateral pode ser saudável: desincentiva a obsessão com métricas de consumo e força as empresas a medir o que interessa, impacto real no negócio. Até lá, a mensagem é simples. A corrida à IA ficou cara depressa demais, e agora os próprios fornecedores estão a descobrir que vender fogo de artifício por contagem de faíscas não escala.

Fonte: Forbes

Comentários · 0