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OpenAI compra a Glass Imaging e aponta a câmara ao hardware

Startup de fotografia computacional custa mais de 280 milhões de euros à OpenAI. O alvo não são likes no Instagram, é o próximo passo na batalha pelo dispositivo de IA.

OpenAI compra a Glass Imaging e aponta a câmara ao hardware

A OpenAI comprou a Glass Imaging, uma startup de fotografia computacional para câmaras de telemóvel, numa operação avaliada em mais de 300 milhões de dólares, algo como ~276 milhões de euros. A notícia vem do Wall Street Journal e encaixa numa sequência de compras discretas que lembram menos uma empresa de software e mais uma marca à procura do seu primeiro gadget sério.

A Glass Imaging é pequena mas com pedigree de Cupertino. Foi fundada em 2019 em Los Altos por dois ex-engenheiros da Apple. Ziv Attar, CEO, vendeu antes a LinX Imaging à Apple em 2015 e acabou a liderar fotografia computacional em Cupertino. Tom Bishop, CTO, é apontado como co-criador da tecnologia por trás do Modo Retrato do iPhone. Isto não é uma equipa qualquer de visão por computador, é gente que já fez câmaras de telemóvel ditarem o rumo da indústria.

O produto da casa chama-se GlassAI. A promessa é simples, a execução não: treinar redes neuronais específicas para cada sistema de câmara, corrigir aberrações de lente e falhas de sensor em tempo real, no momento em que carregas no botão, e espremer mais qualidade do mesmo hardware. Nada de filtros mágicos em pós-processamento, é fotografia computacional profunda que tenta aproximar o telemóvel de uma DSLR. Em 2024, a empresa mostrou testes com o Motorola Edge 40 Pro e tecnologia integrada em telemóveis Honor. Não estamos a falar de um protótipo de laboratório.

O que interessa aqui para quem anda com um telemóvel no bolso em Portugal é a leitura estratégica. A OpenAI já tinha comprado a io, a empresa de hardware do ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, por 6,5 mil milhões de dólares em 2025. Junta-se agora uma equipa que sabe tirar milagres de sensores minúsculos. Isto cheira menos a curiosidade corporativa e mais a plano consistente para um dispositivo de IA próprio, onde a câmara é o principal sensor do mundo real. A frase de Peyman Milanfar, investigador de imagem, resume o subtexto: “a câmara é o futuro da inteligência”.

Para a OpenAI, que já abriu a sua infraestrutura com a Agents API, controlar a forma como o mundo entra no modelo é tão importante como controlar o modelo em si. Áudio, vídeo, texto, tudo passa por sensores, e a câmara do telemóvel é o mais ubíquo de todos. Uma empresa que quer encher o planeta de agentes de IA não se pode limitar a correr na nuvem, precisa de dominar também a óptica e o silício que vivem no bolso do utilizador.

Há ainda o lado menos romântico: mais de 300 milhões de dólares por uma startup avaliada em 100 milhões no ano passado é um múltiplo generoso. É o tipo de cheque que fecha portas à concorrência, de Apple a Google, num momento em que toda a gente tenta colar IA generativa à fotografia. Para os gigantes dos telemóveis, isto é mais um lembrete de que depender eternamente de software de terceiros, seja da OpenAI, seja de outros, é um luxo que sai caro. E para quem olha para a OpenAI só como empresa de chatbots, estas compras sucessivas estão a desenhar outra coisa: uma futura câmara de IA com ambição de ser tão central como foi o smartphone nos últimos quinze anos.

Fonte: The Next Web

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