EDITORIAL

O primeiro pixel

A maior parte da tecnologia não interessa. Escrevemos sobre o resto.

O primeiro pixel

Há quem, ao ver um telemóvel novo, pense apenas “ainda bem, já me apetecia”. E há quem passe a madrugada a comparar tabelas de especificações de dois aparelhos que não tenciona comprar nem nunca comprará. Nós, para nosso espanto e desgosto da família, somos do segundo grupo.

Vivemos assim há anos, entre linhas de código e ecrãs acesos a horas a que as pessoas de bem já dormem, a ver a tecnologia mudar tudo: a maneira de trabalhar, de falar, de namorar e, sobretudo, de perder tempo. A certa altura procurámos, em português, um sítio que olhasse para esta confusão com calma e com opinião. Não encontrámos. Restavam duas hipóteses: resignarmo-nos, como faz a gente sensata, ou fazê-lo nós, como faz quem não tem mais nada para fazer. Escolhemos a segunda. Chama-se Pixel Magazine.

A nossa promessa é modesta, o que, convenhamos, já é uma novidade no ramo. Não vamos dar conta de tudo o que acontece, porque acontece demasiado e a maior parte tem a importância histórica de um carregador novo. Vamos escolher: o aparelho que vale a pena, a ideia que vai ficar. E vamos guardar a palavra “revolução” para o que for mesmo uma revolução, e não para o botão que mudou de sítio e foi apresentado num palco, com luzes e música. Interessa-nos menos o que a coisa faz e mais o que a coisa nos faz a nós. E reservamo-nos o direito de dizer, quando for caso disso, que o rei vai nu, por muito grande que seja a coroa.

Resta uma confissão, e mais vale fazê-la já, antes que alguém a descubra e fique tudo muito constrangedor. Usamos inteligência artificial. Sim, aquela de que toda a gente anda com medo. Usamo-la para varrer a montanha de notícias que sai por dia, arrumar informação e preparar primeiros rascunhos, tarefas que, noutro século, se entregavam a um estagiário aplicado e sem direito a almoço. Mas convém esclarecer, sobretudo para o caso de a máquina andar a ler-nos: quem manda aqui não é ela. O que se publica, o ângulo, o que fica de fora e as palavras com que se conta passam por mãos e cabeças humanas, com todos os defeitos que isso traz. A tecnologia acelera. A asneira e o juízo continuam por nossa conta.

Os primeiros artigos estão quase a sair. A partir daqui, contamos contigo para ler, para discordar e, de preferência, para nos dizeres onde falhámos, se possível sem insultos, embora compreendamos que nem sempre dê jeito. Isto não é um monólogo, é uma conversa.

Bem-vindo. Fica. E se não gostares, finge que gostaste, é o que toda a gente faz.

A equipa do Pixel Magazine

Comentários · 2

  1. Carmo Correia 21/06/2026

    Muito bom editorial!
    Parabéns e Boa Sorte!

    responder 1 resposta
    1. Pixel Magazine 22/06/2026

      Muito obrigado! 😀
      Espero que goste e que passe por cá regularmente.