A Bose habituou meio mundo a associar viagens de avião a uma coisa simples: meter uns QuietComfort na cabeça e esquecer o resto. Segundo o Wired, a nova geração dos Bose QuietComfort Headphones (2nd Gen) mantém esse ADN quase intacto, com conforto de topo e um cancelamento de ruído que continua na primeira linha. O problema é que, em 2026, isso já não chega para mandar sozinho no segmento premium.
No papel, as bases estão lá. Bluetooth 5.4 com multiponto para alternar entre portátil e telemóvel, USB‑C com áudio sem perdas até 24 bit/48 kHz, 230 gramas na balança e o óbvio: cancelamento de ruído ativo muito agressivo. Quem testou os auscultadores para o Wired destaca um som detalhado e equilibrado, mais limpo do que a geração anterior, e um nível de isolamento que continua a apagar cabines de avião e escritórios abertos sem esforço. A construção inclui estojo rígido, cabo analógico e cabo de carregamento, nada de surpresas aqui.
O problema começa quando se olha para o resto do mercado. A autonomia anunciada fica pelos 24 horas, um número que há uns anos parecia impressionante mas que hoje, frente a rivais como os Sony WH‑1000XM6 ou os próprios QuietComfort Ultra da Bose, cheira a pouco. Para quem passa muitas horas entre voos, comboios e reuniões, isso significa carregar mais vezes ou andar sempre com o cabo atrás. Pior, a qualidade de voz em chamadas é descrita como fraca, com microfones que lutam para isolar a fala em ambientes ruidosos. Num par de auscultadores a rondar os 330€ ao câmbio direto dos $359, isto é difícil de engolir.
Também na frente técnica há concessões pouco simpáticas. Não há suporte para codecs de áudio sem fios de alta resolução para lá de SBC e AAC, algo que os audiófilos com bibliotecas hi‑res e subscrições de streaming lossless vão notar. Em 2026, ficar por aqui num modelo premium sugere que a Bose continua a priorizar o conforto e o cancelamento de ruído acima de tudo, deixando o resto para versões mais caras e cheias de truques espaciais. É uma estratégia que pode funcionar para quem só quer silêncio, mas que torna estes QuietComfort 2 menos interessantes para quem compara especificações a sério.
O veredito do Wired resume bem o dilema: são auscultadores excelentes em duas coisas, conforto e ANC, e apenas aceitáveis no resto. Numa altura em que há opções com cancelamento quase tão bom, melhor autonomia e chamadas mais claras, muitas vezes por preços idênticos, a conta começa a não bater certo para a Bose. Para quem vive em aviões e quer a sensação QC clássica, continuam a ser uma escolha segura. Para quem olha para cada euro gasto em auscultadores, a marca tem concorrentes demasiado fortes para continuar a contar só com a nostalgia de quem já decorou o interior do estojo rígido.
A própria Bose parece saber que precisa de mais do que silêncio absoluto para se destacar, como se viu nos earbuds com fio com cancelamento de ruído que lançou recentemente e que analisámos em detalhe em Bose volta aos earbuds com fio e junta cancelamento de ruído. Face a isto, estes QuietComfort 2 soam a aposta segura para quem já está no clube, mas pouco sedutora para quem está a escolher o primeiro par de auscultadores caros.
Fonte: Wired
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