Mundial 2026 junta IA, sensores e um recorde que reacende o debate
O Mundial 2026 não está apenas a decidir campeões. Está também a testar o futuro da tecnologia no futebol.
O Mundial 2026 não está apenas a decidir campeões. Está também a testar o futuro da tecnologia no futebol.
A Google decidiu assinalar um dos momentos mais mediáticos do Mundial 2026 com um pequeno easter egg dedicado a Lionel Messi. Ao pesquisar pelo nome do argentino surgem animações especiais relacionadas com o novo recorde de golos em fases finais de Mundiais, uma distinção que até agora pertencia a Miroslav Klose. É um daqueles detalhes temporários que a empresa costuma reservar para acontecimentos desportivos de grande visibilidade.
Em Portugal, porém, o destaque continua naturalmente dividido. O recorde de Messi diz respeito exclusivamente aos Mundiais, mas dificilmente altera a forma como muitos adeptos olham para a carreira de Cristiano Ronaldo. Ao longo das últimas duas décadas, os dois jogadores acumularam marcas históricas em praticamente todas as competições possíveis. O argentino soma agora mais um capítulo impressionante no maior torneio de seleções, mas isso não apaga os recordes internacionais, a longevidade e a influência que Ronaldo continua a ter no futebol mundial.
Curiosamente, a história do Mundial 2026 vai muito além dos números individuais. Este é provavelmente o torneio mais tecnológico alguma vez organizado pela FIFA. A nova bola oficial inclui um sensor interno capaz de recolher dados 500 vezes por segundo, transmitindo informação em tempo real para os sistemas de arbitragem. O objetivo é reduzir erros e acelerar decisões em lances de fora de jogo ou situações difíceis de interpretar apenas através das imagens televisivas.
A inteligência artificial também entrou definitivamente no campo. Todos os jogadores participantes foram digitalizados para criar modelos tridimensionais detalhados, utilizados pelos sistemas semi-automáticos de fora de jogo. Na prática, a FIFA procura substituir parte da subjetividade por medições mais precisas e visualizações mais claras para adeptos, treinadores e jogadores. Os árbitros usam ainda câmaras corporais em todos os encontros, permitindo transmissões com perspetivas inéditas sobre o desenrolar das partidas.
Hoje, Portugal enfrenta o Uzbequistão num contexto em que cada passe, corrida ou remate é analisado por uma combinação de sensores, algoritmos e sistemas de monitorização. O resultado continua a depender do talento dos jogadores, mas nunca houve tanta tecnologia envolvida na interpretação do jogo. Até fora dos estádios surgem novidades pouco habituais, como os cães robóticos que estão a ser utilizados por forças de segurança no México para vigilância e reconhecimento de zonas potencialmente perigosas.
O easter egg da Google dedicado a Messi acabará por desaparecer dentro de dias ou semanas, como acontece com quase todas estas homenagens digitais. Já as tecnologias que estão a estrear-se neste Mundial têm mais hipóteses de permanecer. Da mesma forma que o VAR passou de experiência controversa a elemento permanente do futebol moderno, os sensores, a IA e a análise em tempo real parecem destinados a ficar. E isso terá provavelmente mais impacto no futuro do desporto do que qualquer recorde individual, por extraordinário que seja.
Força Portugal! 🇵🇹
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