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MrBeast chega aos 500 milhões no YouTube e continua a dizer que é “pobre”

Jimmy Donaldson é a primeira pessoa a bater os 500 milhões de subscritores no YouTube, ao mesmo tempo que insiste que tem “dinheiro negativo” numa jogada típica de rico em 2026.

MrBeast chega aos 500 milhões no YouTube e continua a dizer que é “pobre”
MrBeast no Kids' Choice Awards 2023. Foto: NickRewind / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Jimmy Donaldson, o tal MrBeast que povoa o feed de YouTube de metade dos adolescentes do planeta, bateu um número que parece bug: 500 milhões de subscritores num único canal. É a primeira pessoa a chegar lá. Não é uma produtora, não é uma marca, é um tipo de 28 anos com thumbnails fluorescentes e orçamentos de cinema.

Os números ajudam a perceber onde é que isto vive. Segundo a Tubefilter, cerca de 40% da audiência de MrBeast tem entre 13 e 17 anos e mais 20% está entre os 18 e os 24. A partir daí cai a pique. Em bom português: se tens sobrinhos ou dás aulas ao secundário, é provável que eles saibam mais sobre o homem que oferece ilhas do que sobre quem manda no governo. Em Portugal, o algoritmo não é diferente, basta abrir o YouTube num telemóvel de um miúdo de 14 anos.

Para marcar o meio milhar de milhão, Donaldson fez um livestream relativamente manso, a rever vídeos antigos e marcos do canal. Nada de desafios de 24 horas em prisões privadas ou carros a chover do céu, só um criador sentado a ver o próprio arquivo. É quase irónico. A plataforma é dominada por uma estética de excesso, mas o momento histórico foi tratado como se fosse mais um vídeo de reacção.

O lado mais interessante nem é o número de subscritores. É a forma como MrBeast fala de dinheiro. Oficialmente, tem uma fortuna estimada em 2,6 mil milhões de dólares, um contrato de 100 milhões com a Amazon para um programa de competição e mais de 50% da Beast Industries, avaliada em cerca de 5 mil milhões. Ainda assim, repete em entrevistas que tem “dinheiro negativo” e que anda a pedir empréstimos porque, na conta à ordem, teria menos dinheiro do que o público adolescente que o vê.

Este truque semântico funciona bem em thumbnail, mas ignora como o dinheiro funciona quando se está nessa liga. Ele pede emprestado com a empresa como garantia. É o modelo clássico de “buy, borrow, die”, estudado até por economistas de Yale, em que património em alta serve para viver quase sem pagar impostos sobre mais-valias. O banco abre a porta, os juros são simpáticos, a linha de crédito é elástica. O oposto do que acontece com quem em Portugal anda em descoberto num cartão de crédito a 15% ao ano ou tenta um crédito pessoal de 3.000€ para tapar buracos.

O resultado é um circo peculiar: um multimilionário que encena uma espécie de pobreza técnica para uma audiência maioritariamente menor de idade, enquanto encarna como poucos essa nova Era Dourada de excesso digital. Meio bilião de subscritores a ver alguém que diz estar “no vermelho” enquanto compra bairros inteiros para família e funcionários. A tecnologia prometeu democratizar a atenção, o YouTube acabou a coroar mais um barão, só que desta vez de hoodie e thumbnail exagerado.

Fonte: Gizmodo

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