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Motorola Razr Flex quer ser o dobrável para quem odeia flips

O novo formato “wide foldable” da Motorola promete ser mais baixo que um slab normal e menos tijolo que um flip. Se ficar abaixo dos 1.500 dólares, pode ser o primeiro dobrável realmente pragmático da marca.

Motorola Razr Flex quer ser o dobrável para quem odeia flips
Ilustração digital | Pixel Magazine

Dobráveis tipo flip ocupam pouco espaço no bolso, mas obrigam a abrir o telemóvel para quase tudo. Slabs normais são práticos, mas continuam grandes demais. A Motorola acha que encontrou um meio-termo e, segundo o Android Police, esse compromisso chama-se internamente Razr Flex, um “wide foldable” pensado para ser usado fechado a maior parte do tempo.

Quem escreve no Android Police parte de um caso concreto: um Pixel 10 de tamanho clássico, que ainda assim parece demasiado alto para o dia a dia, e uma aversão compreensível aos flips actuais. O Razr Ultra, por exemplo, dobra-se até aos 88,1 mm de altura e é óptimo para caber em qualquer bolso, mas o ecrã exterior quase quadrado de 4 polegadas torna-se claustrofóbico para mais do que notificações rápidas. Resultado: passas o dia quase todo no ecrã interior. Ou seja, o flip dá-te o incómodo da dobradiça, mas não te livra do formato tijolo.

O Razr Flex tenta outra abordagem. As fugas de informação apontadas pelo Android Police falam em 110 x 76 x 12,6 mm fechado e 215 gramas. Isto torna-o cerca de 22 mm mais alto que o Razr Ultra, mas ainda assim uns 43 mm mais baixo do Pixel 10, e potencialmente mais baixo do que muitos topos de gama que andam por aí. Fica também mais fino fechado do que o flip da própria Motorola, que chega aos 15,7 mm. Em teoria, o Flex ganha em altura e volume de bolso, mesmo pesando mais 11 gramas que o Pixel 10 e sendo 4 mm mais grosso. Não é o mais leve, é o mais compacto na dimensão certa.

A chave está no ecrã de cobertura: 4,97 polegadas, alegadamente com resolução 1736 x 1140, num formato muito mais próximo de um telemóvel normal do que de um quadrado. Isto significa poder escrever mensagens, confirmar um trajecto no mapa ou responder a emails com o telefone fechado, em vez de andar sempre a abrir a dobradiça. É aqui que o conceito de “wide foldable” faz sentido: fechado comporta-se como um slab pequeno, aberto transforma-se numa espécie de mini-tablet.

Lá dentro, o Razr Flex deverá abrir para um OLED de 6,92 polegadas, 2364 x 1728, com taxa de actualização até 165 Hz. Números que o colocam a meio caminho entre um flip clássico e um dobrável tipo livro, como o Galaxy Z Fold, mas com proporções potencialmente menos esquisitas. A Motorola parece ter percebido o que muitos fabricantes ainda ignoram: dobrar o ecrã só por dobrar não chega, o formato tem de resolver problemas concretos de espaço e uso.

O detalhe que ainda falta é o que vai decidir tudo: o preço. O jornalista do Android Police estima, olhando para o hardware previsto, que a Motorola terá de ficar nos 1.499 dólares ou menos, algo na ordem dos ~1.380€. Acima disso, o Razr Flex arrisca repetir o filme do Razr Ultra, elogiado mas caro demais para o que oferece. A marca tem em mãos uma ideia de formato que pode finalmente tornar os dobráveis mais racionais. Se a Motorola tentar cobrar preço de luxo por uma solução que se vende como pragmática, o “wide foldable” arrisca ficar num nicho confortável… mas pequeno.

Fonte: Android Police

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