Mark Zuckerberg subiu hoje ao palco da Meta Connect e trocou, na prática, o metaverso pela ideia de “superinteligência pessoal”. Segundo o The Next Web, a Meta apresentou uns novos Meta VR Glasses, óculos de realidade virtual de cerca de 100 gramas que chegam na primavera de 2027 por 1.299,99 dólares, cerca de 1.200€. A empresa revelou ainda que os seus smart glasses passam a funcionar como aparelho auditivo aprovado e que vem aí um porta-chaves para falar com o assistente Muse em todo o lado.
Os Meta VR Glasses são óculos escuros discretos com dois ecrãs micro-OLED ligados por um cabo fino a um “puck” que concentra processador, bateria e armazenamento. O módulo, com o novo chip Snapdragon Reality Elite da Qualcomm, prende-se ao bolso ou à mala e aguenta até três horas de vídeo. Nas contas da Meta, o conjunto pesa menos de um quinto de um capacete Quest 3, o que aponta a mira a quem nunca aceitou enfiar um bloco de plástico na cabeça para ver filmes ou jogar.
A Meta insiste que estes são os primeiros óculos de VR certificados como IMAX Enhanced, com a Disney+ a transmitir filmes da Marvel em 3D em alguns países já a partir de novembro, e HBO Max, Peacock e Paramount+ a abrirem também catálogos 3D. A empresa promete mais de 100 eventos desportivos imersivos por ano com ESPN e UFC. O detalhe interessante é que estes óculos também se assumem como “PC virtual”: vários ecrãs flutuantes, qualquer superfície plana a servir de teclado e o agente Muse embebido no sistema operativo, pronto a substituir menus por conversa.
Na frente social, a Meta volta a perseguir o velho sonho do teletransporte digital. Quem escreve no The Next Web cita Andrew Bosworth a prometer chamadas em holograma fotorealista, com corpo inteiro, tanto nos VR Glasses como nos Ray-Ban Display. A piada interna é óbvia: “finalmente pernas em VR”. Também aqui a leitura é clara, a Meta precisa de um argumento forte para convencer pessoas comuns a usar óculos inteligentes no dia a dia, e a promessa de aparecer como holograma num encontro de trabalho vale mais do que mais uma sala virtual colorida.
O movimento mais inesperado é o Hearing Enhancement, que transforma as Meta Glasses em aparelho auditivo de venda livre aprovado pelo regulador norte-americano. A funcionalidade destina-se a perdas auditivas ligeiras a moderadas: o utilizador faz um teste guiado na app, o sistema gera um perfil e os óculos ajustam a amplificação. Zuckerberg limitou-se a dizer que o preço será uma fração do de um aparelho auditivo clássico, o que, num mercado historicamente caro e fechado, é mais do que marketing. Há já modelos concorrentes com IA, como os da Phonak que o The Next Web descreveu recentemente, mas nenhum vem escondido numa armação de óculos “normais”.
Em paralelo, a Meta alarga a gama Ray-Ban com versões só de áudio e prepara o Muse Charm, um porta-chaves sempre ligado ao agente Muse. É a tentativa de enfiar um assistente de IA em qualquer bolso antes que outro o faça primeiro. Visto de fora, tudo aponta para uma Meta menos obcecada com mundos virtuais e mais focada em transformar óculos e acessórios em interface principal para a sua IA. Para quem acompanha a corrida dos óculos inteligentes, depois de experiências como os Viture e da pressão regulatória que casos como o processo em França já levantaram, o plano da Meta não é tímido. É agressivo, caro e coloca a questão certa: quem quer, de facto, viver com hardware da Meta na cara e nos ouvidos o dia inteiro.
Fonte: The Next Web
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