LINUX

Linux 7.2 chega com IA em fundo e adeus definitivo ao AppleTalk

Novo kernel assume o “novo normal” de patches gerados por IA, afina caches para EPYC e Xeon modernos e mata mais um bocado da internet dos anos 90.

Linux 7.2 chega com IA em fundo e adeus definitivo ao AppleTalk

Linus Torvalds lá carregou no botão: o kernel Linux 7.2 está cá fora. Não porque estivesse tudo perfeito, mas porque, como ele próprio escreveu, adiar mais significava arriscar não lançar nada. Bem-vindo ao tal “novo normal” em que a enxurrada de código, muito dele assistido por ferramentas de IA, já não abranda nas últimas semanas antes da release.

No resumo semanal na mailing list do kernel, Torvalds admitiu que a última semana de desenvolvimento voltou a ser maior do que gostaria. Resultado: a 7.2 aterra com “uma série de reverts bastante tardios”, com o agendamento de DRM em destaque. Na prática, algum código de gráficos entrou demasiado verde e teve de ser revertido à pressa. Não é bonito, diz ele, mas é a forma certa de lidar com “este código afinal ainda não estava pronto”. O perfeccionismo clássico de kernel hacker choca aqui com o volume industrial de contribuições guiadas por IA, um tema que já lhe valera um desabafo recente sobre updates gigantes como novo normal.

Do lado das novidades que interessam a quem corre Linux em produção, o destaque vai para o Cache Aware Scheduling. A ideia: aproveitar melhor os dados que já estão nas caches dos processadores, sobretudo em máquinas com muitos núcleos como os AMD EPYC 5 e Intel Xeon 6. Em vez de atirar tarefas para qualquer core livre, o kernel passa a ter mais noção de que cache contém dados úteis e tenta manter o trabalho “perto” dessa memória rápida. Menos acessos redundantes, mais eficiência. Isto é o tipo de optimização invisível que não rende screenshots bonitas, mas pode significar uns bons pontos percentuais de desempenho em servidores e clouds europeias baseadas nestas plataformas.

A versão 7.2 traz também melhor suporte para hardware recente. Há trabalho específico para garantir que o Linux corre em máquinas com Apple M3, o que continua a ser relevante para quem insiste em ter dual boot ou usar Linux de forma quase nativa nestes Mac, mesmo com todas as limitações de drivers proprietários da Apple. Do lado das gráficas, chega o habitual lote de actualizações para drivers, e há groundwork para chips de próxima geração de AMD, Intel e Nvidia, numa corrida permanente para que o kernel não fique atrás do hardware que chega às racks da cloud e aos portáteis de gaming.

Nem tudo são adições. A 7.2 desliga a máquina a mais um pedaço da arqueologia de redes: adeus AppleTalk e adeus a adaptadores ISA e PCMCIA usados em redes ARCNet. Se tens um portátil com ranhura PCMCIA a funcionar em 2026, a verdade é que já vivias num museu vivo. Esta limpeza dói a quem gosta de guardar tudo “só por via das dúvidas”, mas é inevitável num kernel que até já serve de base a distros montadas em poucas horas, como vimos com a OpenFactory.

No meio dos commits mais sérios, sobra espaço para o bizarro: a 7.2 inclui suporte para o comando de jogo Zenaim Leverless, um slab preto cheio de botões pensado para e-sports. Os puristas podem torcer o nariz, mas é também isto que mantém o Linux vivo no desktop e nas arenas de torneios, lado a lado com as melhorias obscuras de scheduler e as cirurgias ao legado. Entre a pressão da IA no desenvolvimento e a necessidade de continuar a limpar tralha de décadas, o kernel continua a crescer. Só já ninguém finge que cresce devagar.

Fonte: The Register

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