Key Boy Advance é um teclado mecânico para quem cresceu com a GBA
Um kit compacto inspirado na Game Boy Advance, com botões de ombro e preço de colecionador. Pensado mais para nostalgia de secretária do que para produtividade.
Um kit compacto inspirado na Game Boy Advance, com botões de ombro e preço de colecionador. Pensado mais para nostalgia de secretária do que para produtividade.
Há teclados mecânicos estranhos e depois há o Key Boy Advance, um kit que decide pegar na silhueta da Game Boy Advance da Nintendo e colá-la a um layout de 50 teclas. Não corre Pokémon nem Mario Kart. Corre e-mails e código, se estiveres disposto a pagar o preço da piada.
O Key Boy Advance é um group buy vendido pela loja britânica ProtoTypist. Não vem montado, não traz switches, não traz keycaps. O que pagas, a partir de 210,83£, cerca de ~250€, é essencialmente a estrutura, a PCB programável e um conjunto de detalhes pensados para disparar a nostalgia: curvas muito próximas da consola original e, sobretudo, botões de ombro com microswitches para imitar o clique da GBA de 2001. Quem ainda se lembra de apertar os olhos diante de um ecrã sem retroiluminação vai reconhecer a silhueta à primeira vista.
Do lado técnico, falamos de um teclado compacto de 50 teclas, programável, pensado para a comunidade que vive feliz em QMK, layouts exóticos e montagens de fim‑de‑semana. Os botões de ombro podem servir para macros, atalhos de produtividade ou para aquilo que toda a gente vai fazer nos primeiros cinco minutos: simular que está a jogar. Depois voltam a ser atalhos para copiar e colar, porque a vida adulta não perdoa.
O problema é o costume nestes nichos: preço e acessibilidade. Com um ponto de partida em ~250€, antes de portes e de IVA à chegada a Portugal, este teclado fica rapidamente a um valor que rivaliza com modelos topo de gama completos que se encontram na Worten ou na FNAC, prontos a usar. E aqui ainda tens de somar switches decentes, um conjunto de keycaps e algum tempo de montagem. É um brinquedo caro para quem quer reviver meia dúzia de memórias da infância em cima da secretária.
Também convém lembrar que, como qualquer group buy de nicho, nada disto é imediato. O envio está previsto para o quarto trimestre de 2026. Entre atrasos de fabrico, logística e alfândega, é o tipo de compra em que podes muito bem mudar de emprego, de cidade e de teclado diário antes de o Key Boy Advance pousar finalmente em cima da tua mesa. Isto é normal na cena de teclados custom, mas continua a ser um choque para quem está habituado a clicar na Amazon e receber dois dias depois.
No fim, o Key Boy Advance funciona quase mais como objecto de design do que como ferramenta de trabalho. É uma piscadela de olho a quem passou demasiado tempo com pilhas recarregáveis e cartuchos de plástico no bolso. Os outros vão olhar para o preço, para a espera e para o facto de aquilo não correr Metroid e perguntar-se, com alguma razão, se não é mais sensato ir buscar uma GBA usada e um teclado mecânico normal em saldo.
Fonte: The Verge
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