SOFTWARE

Justiça dos EUA dá a Musk o ‘Twitter’ mas solta o passarinho

X ganha uma injunção parcial sobre a marca Twitter contra a startup Operation Bluebird. Fica com o nome, perde o pássaro e os tweets.

Justiça dos EUA dá a Musk o ‘Twitter’ mas solta o passarinho

Três anos depois da tentativa de Elon Musk de apagar a palavra “Twitter” da internet, é um tribunal federal a dizer o óbvio: para toda a gente continua a ser o Twitter. A rede social X ganhou uma injunção preliminar nos Estados Unidos contra a Operation Bluebird, dona do domínio Twitter.new, e por enquanto fica com a marca “Twitter”. Mas perde o resto do imaginário: “Tweet” e o pássaro azul passam a ser território livre para a rival.

O caso está no Tribunal Distrital de Delaware e a decisão é do juiz Colm F. Connolly. Na opinião publicada quinta‑feira, o juiz diz que, como a própria X ainda usa a expressão “formerly Twitter” nas lojas de aplicações, é provável que vença na parte da marca principal caso o processo vá a julgamento final. Em linguagem menos jurídica: se o próprio Musk não conseguiu enterrar o nome, não pode exigir a uma plataforma minúscula que faça de conta que ele morreu.

Do outro lado está a Operation Bluebird, uma startup que no ano passado decidiu “dar o pássaro” a Musk e criar uma rede social chamada Twitter.now em reação ao estado da plataforma depois da compra. Entre as críticas: diluição da verificação de contas, combate frouxo ao discurso de ódio e a sensação generalizada de que Musk “deitou tudo abaixo”. Perante a injunção, a empresa já respondeu com um recuo táctico, vai rebatizar o serviço para Tweet.app, mas fica oficialmente com o direito de usar “Tweet” e um logótipo com pássaro.

Nessa parte, a X perdeu. O tribunal considerou que a empresa não demonstrou estar ainda a usar de forma relevante nem a palavra “tweet” nem o símbolo do pássaro. Muito do material que apresentou como prova, páginas web e emails, nem sequer tinha datas. Quando uma companhia que se gaba de ser o coração da conversa global não consegue arranjar metadata decente para um processo de marcas, a mensagem é clara: Musk quis cortar tão radicalmente com o passado que agora não consegue convencer um juiz de que esse passado ainda lhe pertence.

Para os utilizadores portugueses e europeus, a disputa pode parecer distante, mas há um detalhe com impacto: X continua juridicamente presa ao rótulo “antigo Twitter” enquanto mantiver essa referência nas lojas de apps. Isso complica qualquer tentativa séria de rebranding e até a forma como reguladores olham para a plataforma. Do ponto de vista legal e cultural, o Twitter ainda não acabou. E não foi por falta de tentar.

No meio disto, a Operation Bluebird continua na fase de pedir inscrições para o seu serviço, muito longe da escala da X. Mas já conseguiu algo que muitos concorrentes falharam: agarrar um pedaço do vocabulário da velha rede social, com bênção de um tribunal federal. Musk fica com o nome corporativo que tentou apagar. A concorrência leva o pássaro e os tweets. Para uma operação que nasceu como protesto, não é um mau começo.

Fonte: CNET

Comentários · 0