CIêNCIA

IBM mostra vantagem quântica e tenta resolver o problema da confiança

Três experiências diferentes sugerem que alguns chips quânticos já fazem melhor que supercomputadores clássicos. O desafio agora é acreditar nos resultados sem poder verificá-los.

IBM mostra vantagem quântica e tenta resolver o problema da confiança

A pergunta já não é só quando é que os computadores quânticos vão ser úteis. É se podemos confiar neles quando, finalmente, fizerem coisas que nenhum supercomputador clássico consegue acompanhar. A IBM decidiu atacar esse problema de frente, com três demonstrações de “vantagem quântica” que não servem ainda para nada prático, mas mexem na questão certa: confiança.

O contexto é conhecido: há algoritmos em que está matematicamente provado que um computador quântico é mais rápido do que um clássico. O problema é que o hardware real de 2026 é barulhento, limitado e está longe dos cenários de manual. Quando alguém diz que o seu chip quântico fez um cálculo inalcançável por hardware clássico, falta sempre a pergunta desconfortável: se nem o maior supercomputador do mundo consegue verificar o resultado, como sabes que não está errado?

É aqui que entra o novo “quantum advantage tracker” da IBM. A empresa já vinha a puxar para a frente na corrida quântica, incluindo com a recente aquisição do laboratório HRL para reforçar o seu hardware. Agora mostra três casos onde, defende, há clara vantagem quântica, cada um com uma estratégia diferente de lidar com erros e de validar os resultados sem depender de simulações clássicas completas.

Um desses trabalhos junta a IBM, o instituto RIKEN no Japão e a Qedma, uma pequena empresa focada em software de mitigação de erros. O alvo é um processo de Floquet num modelo de Ising: imagina uma grelha de pequenos ímanes a influenciar os vizinhos, à procura de uma configuração de baixa energia, enquanto um “empurrão” externo os faz oscilar. À medida que vais adicionando ímanes (qubits), o número de estados intermédios possíveis explode, e acompanhar a evolução do sistema torna-se um pesadelo para um computador clássico.

Para não fugir completamente da realidade, a equipa escolheu um problema que ainda cabia no supercomputador japonês Fugaku. Correram dois algoritmos clássicos diferentes e obtiveram histórias incompatíveis: num, o magnetismo global diminuía suavemente; noutro, aumentava. Nenhum dos dois mostrava a mesma dinâmica. Quando o mesmo sistema foi corrido num processador quântico da IBM com o software de mitigação da Qedma, o resultado foi uma curva mais rica: magnetismo a descer, mas com oscilações periódicas. Um dos algoritmos clássicos apanhava parte dessas oscilações, mas com o sinal global errado. O outro perdia as oscilações quase por completo.

Podia ser bug sistemático no hardware da IBM, por isso repetiram a experiência num processador da Quantinuum. O padrão manteve-se. Não é uma prova absoluta, mas é um argumento forte: dois tipos de hardware quântico diferentes a contar a mesma história, enquanto os modelos clássicos discordam entre si. Ainda não estamos na era em que um computador quântico resolve problemas úteis do teu dia-a-dia mais depressa que um cluster de GPUs, mas estas demonstrações atacam a parte menos glamorosa e mais crítica da conversa: se a máquina te disser algo que nenhum outro computador consegue verificar, o que te faz acreditar que está certo? A IBM quer ter uma resposta credível preparada antes de vender milagres.

Fonte: Ars Technica

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