Haiku OS Beta 6 aposta na Web e em virtualização acelerada
O sistema operativo herdeiro do BeOS chega à sexta beta com WebKit moderno, Firefox oficial e hipervisor com aceleração por hardware. Continua nicho, mas já não é só curiosidade retro.
O sistema operativo herdeiro do BeOS chega à sexta beta com WebKit moderno, Firefox oficial e hipervisor com aceleração por hardware. Continua nicho, mas já não é só curiosidade retro.
O Haiku OS fez 25 anos e comemorou com a sexta beta. Não é um Linux, não é um BSD. É a continuação teimosa da ideia BeOS: um sistema leve, responsivo e coerente, numa altura em que o desktop é quase monopólio de Windows, macOS e distribuições Linux cada vez mais pesadas.
A Beta 6 chega com duas peças-chave para ser menos hobby e mais sistema de dia a dia: navegador moderno e virtualização decente. O browser nativo WebPositive passa a usar o motor WebKit, o mesmo núcleo que está por trás do Safari. Tradução prática: Gmail, suites web e aplicações pesadas em JavaScript deixam de ser roleta russa e passam a comportar-se como num sistema “normal”. Num mundo dominado por Blink e clones de Chrome, é uma pequena vitória para a diversidade da Web.
Para quem não confia em browsers de nicho, há um porto completo de Firefox com branding oficial da Mozilla e, detalhe importante, não fica preso à versão ESR. A edição para Haiku já acompanhou até ao Firefox 155, o que afasta o risco de ficar meses com falhas de segurança abertas. Há ainda derivados como Waterfox, LibreWolf ou Floorp, e até GNOME Web continua disponível, embora perca protagonismo agora que o WebPositive deixou de ser brinquedo. O único problema notado é um cursor a piscar com um quadrado à volta em Firefox, mais bug estético que travão real.
O outro salto está na virtualização. O Haiku Beta 6 ganha máquinas virtuais com aceleração por hardware graças ao NVMM (NetBSD Virtual Machine Monitor), um hipervisor vindo do NetBSD, também já usado em DragonFly BSD e agora portado para Haiku através de um projecto GSoC (Google Summer of Code). Na prática, o NVMM permite que o QEMU use directamente as extensões de virtualização da Intel e da AMD, tirando o Haiku do estado de “VMs lentas para desenrascar” e aproximando-o de algo que se aguenta num fluxo de trabalho mais sério. Não é o multikernel musculado que alguns no mundo Linux andam a sonhar para matar o hipervisor à força bruta, mas é um passo sólido num sistema que nem sequer tinha um caminho claro para isto há uns anos.
Há limitações óbvias. Tanto o NVMM como o Firefox oficial só existem na versão x86-64. A build de 32 bits ganha em troca compatibilidade binária com o BeOS original, o que é óptimo para arqueologia digital mas menos interessante para quem quer só um portátil rápido para navegar, escrever e correr meia dúzia de ferramentas modernas. Em arquitectura, o projecto não está completamente preso ao mundo Intel, mas é aí que a sexta beta realmente respira.
Para quem está em Portugal, a pergunta pragmática é simples: para que serve isto em 2026? Não vai substituir o Windows do portátil de trabalho, nem é um drop-in para as distribuições Linux consolidadas. Mas começa a ser um sistema operativo alternativo onde se pode viver algumas horas sem cair num emulador de outra coisa qualquer. Com WebKit actual, Firefox oficial e virtualização acelerada, o Haiku deixa de ser só nostalgia BeOS. Passa a ser um pequeno laboratório de como poderia ser o desktop se as grandes empresas não tivessem tomado conta do mapa.
Fonte: The Register
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