O Safety Signal foi uma das respostas da Google à pergunta chata dos smartwatches com LTE: porque é que tenho de pagar um plano móvel só para ter SOS a funcionar se cair na rua sem telemóvel? Nos Pixel Watch 2 e 3, a função permite usar recursos de segurança em emergência sem plano de operadora e sem ligação ao telemóvel. Totalmente grátis. Segundo o Android Police, esse pequeno luxo está prestes a desaparecer.
Quem detetou os sinais foi o Android Authority, num teardown à app do Pixel Watch. Entre as novas strings escondidas no código estão avisos nada ambíguos como “Safety signal is going away” e “This feature will no longer be available soon”. Juntas, deixam pouca margem para dúvidas: a Google está a preparar-se para descontinuar o serviço, pelo menos nos modelos mais antigos do relógio.
O Safety Signal tem sido um dos argumentos de peso da linha Pixel Watch, sobretudo para quem olha para estes relógios como ferramenta de segurança e não apenas como extensão de notificações. A possibilidade de fazer partilha de localização em emergência ou aceder a funcionalidades de deteção de incidentes sem plano dedicado tornava o relógio da Google mais interessante do que muitos rivais diretos. Retirar isto a quem já comprou o relógio é mais um caso em que o hardware continua no pulso mas o pacote de serviços encolhe à distância de uma atualização.
A Google ainda não anunciou oficialmente o fim da função, nem um calendário claro. O que existe é o texto enterrado na app e o silêncio habitual sobre como vai compensar quem confiou nesta rede de segurança. Fica por saber se o corte é total ou se o Safety Signal passa a estar limitado a gerações mais recentes do relógio, num empurrão discreto para upgrades, como já se viu noutros produtos da marca. Depois de movimentos como o fecho do Stadia e a instabilidade crónica em algumas linhas de serviços, a mensagem para quem investe na plataforma volta a ser pouco reconfortante.
Para quem anda a seguir a estratégia da Google em wearables, especialmente depois dos planos em torno do Fitbit e do que revelámos quando o Fitbit Edge veio a público antes de tempo, isto encaixa num padrão: a empresa não tem problemas em reajustar o que o hardware faz a meio do ciclo de vida se isso alinhar melhor com a folha de cálculo. Tecnicamente, é o serviço que muda, não o relógio. Na prática, quem comprou um Pixel Watch a contar com esta funcionalidade perde uma camada de segurança sem ter tido voto na matéria.
Como a referência ao fim do Safety Signal surge apenas em texto interno, o calendário ainda é uma incógnita. Nas contas do Android Police, o mais provável é que os utilizadores tenham ainda algumas semanas ou meses até a mudança se concretizar, mas isso é pouco consolo quando a função em risco é precisamente aquela a que só se dá valor no pior dia. Quando as marcas vendem segurança como argumento comercial, é difícil justificar que esse compromisso expire por decisão unilateral de backoffice.
Fonte: Android Police
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