IA

Interface é o anel de 99 dólares que quer ser o teu agente IA

A Natura apresentou o Interface, um smart ring que mistura rastreio de saúde com controlo por voz de vários agentes de IA. A ideia é simples e ambiciosa: pôr o “assistente pessoal” sempre no dedo, mesmo debaixo do chuveiro.

Interface é o anel de 99 dólares que quer ser o teu agente IA
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Se o anel da concorrência conta passos e sono, o Interface quer contar também com os teus agentes de IA. A Natura, startup de hardware e IA fundada por Carlo Edoardo Ferraris, apresentou um smart ring de 99 dólares (~91€) pensado para falar com modelos como Claude, ChatGPT ou Grokbot com um toque no dedo. Em vez de ir ao telemóvel, pressionas o anel, falas e a tarefa segue para o agente certo.

De acordo com o TechCrunch, o Interface nasce da convicção de Ferraris de que a IA precisa de um “novo tipo de interface”, constante e discreta. A Natura já tinha experimentado a ideia com uns earbuds, os HumanPods, mas concluiu que o formato anel é mais radical: está sempre contigo, aguenta banho, cama e corrida. O conceito é claro, embora um pouco messiânico, quando o fundador diz que o anel será “a principal interface” entre pessoas e tecnologia. Para já, é um wearable a tentar convencer fãs de IA que ainda andam a alternar entre apps no telemóvel.

Na parte prática, o Interface fala com vários agentes e apps, incluindo Meta Muse, Instinct, Grokbot, Claude e ChatGPT, logo no arranque. O utilizador pode escolher quem trata de quê: Claude para escrever código, Instinct para reservas, outro agente para recados diferentes. As respostas chegam por auscultadores, via atividade em tempo real no iPhone ou na app própria da Natura, NatureOS. É uma abordagem parecida com o que já vimos no Pebble Index 01, mas aqui com sensores de saúde a sério em vez de um simples botão.

A empresa descreve cenários de uso quase ilimitados: pedir ao anel para começar um treino durante a corrida, perguntar a agenda ao acordar, mandar repor o champô a meio do duche, desligar a televisão e definir o alarme quando adormeces no sofá, ou gravar uma reunião e depois pedir que envie o resumo ao colega. Parte disto já se faz com um smartwatch decente, o que levanta a questão óbvia: estamos a precisar mesmo de mais um ecrã invisível no dedo ou apenas a repetir a história dos wearables com um novo formato?

Do lado de saúde, o Interface promete o pacote completo: batimentos cardíacos, frequência cardíaca em repouso, variabilidade da frequência cardíaca, fases de sono, passos, movimento diário e temperatura da pele ao longo do tempo. A Natura diz que os custos de fabrico são comparáveis aos de rivais como Oura Ring, Ultrahuman ou RingConn, e a autonomia anunciada é agressiva, entre 6 e 12 dias por carga, com 100 minutos para recarregar. Num mercado onde já temos anéis focados em saúde sem subscrição, como o RingConn Gen 2 Air, a bateria longa é importante, mas não chega para justificar novas mensalidades.

Porque o preço de entrada de 99 dólares é só metade da história. A Natura admite que tenciona aumentá-lo mais tarde e, depois de 3 a 6 meses iniciais, passa a cobrar 9 dólares por mês de subscrição. Isto coloca o Interface num território curioso: hardware ao preço “simpático” de lançamento, uso contínuo dependente de uma mensalidade num mercado já saturado de serviços com assinatura. As pré-encomendas estão previstas para o próximo mês, com envios apontados a dezembro ou janeiro, mas sem preço ou data anunciados para a Europa. Se o anel da Natura vai mesmo ser “a interface” da era dos agentes, ou só mais um wearable de nicho para quem já vive em modo beta de IA, vai depender menos da magia do agente e mais da tolerância de cada um a ter mais uma prestação no pulso. Ou melhor, no dedo.

Fonte: TechCrunch

Comentários · 0