Google prepara Play Store para lojas rivais e modo Play Labs
Código da nova versão da Play Store revela suporte a lojas de apps concorrentes e um laboratório de funcionalidades em teste. Falta saber quanto disto chega, e como, à Europa.
Código da nova versão da Play Store revela suporte a lojas de apps concorrentes e um laboratório de funcionalidades em teste. Falta saber quanto disto chega, e como, à Europa.
O código da Play Store voltou a falar antes da Google. A última versão da app esconde referências claras a duas novidades: suporte direto a lojas de apps terceiras e um novo menu chamado Play Labs, uma espécie de laboratório para quem gosta de testar funções antes de toda a gente.
A descoberta foi feita numa desmontagem de APK, aquela análise ao código que permite ver o que está a caminho mas ainda não foi ligado no lado do servidor. Depois de uma atualização recente que já trouxe pesquisa melhorada e testes de widgets durante a instalação, surgem agora opções ocultas para ativar Play Labs e para instalar outras lojas a partir do próprio Play. Para já, quem andou a mexer no APK conseguiu fazer aparecer os itens no menu, mas nada funciona, o que sugere que estamos numa fase de testes internos ou A/B muito restrita.
A entrada para lojas rivais não cai do céu. É o resultado da pressão antitrust e das batalhas legais com a Epic. Com o acordo entre as duas a ser retirado, voltou a valer o julgamento de 2024 que considerou a Google abusiva no controlo da distribuição de apps em Android. Já escrevemos como esse recuo reabriu a guerra às lojas alternativas e, mais recentemente, como a Google começou a abrir parte do catálogo do Play a concorrentes, mas só nos EUA. Ver agora uma opção de instalar lojas de terceiros a partir da Play Store é a continuação lógica dessa linha: se não consegue bloquear, tenta controlar o canal de entrada.
Para quem está na União Europeia, isto cruza-se ainda com o DMA (Digital Markets Act) e as obrigações de abertura impostas a gatekeepers como a Google. Integrar lojas rivais dentro do Play pode ser apresentado como gesto de abertura, mas também é uma forma de manter o utilizador dentro do jardim da Google, com mais uma camada de fricção e de vigilância sobre o que instala. A questão-chave será se estas lojas poderão operar com regras próprias de pagamentos, atualizações e comissões, ou se acabam engolidas por políticas quase tão restritivas como as da casa-mãe.
O outro elemento, Play Labs, parece replicar a lógica de Labs noutros produtos da Google: um espaço semi-oficial para experimentar novidades antes de estarem maduras. É útil para utilizadores avançados e dá à empresa um campo de testes enorme, sem ter de assumir totalmente o compromisso com cada função. Também ajuda a Google a vender a narrativa de transparência e experimentação, enquanto decide em silêncio o que promove a toda a base de utilizadores.
Por fim, há a nova barra de pesquisa em duas linhas, pensada para consultas em linguagem mais natural e com um prompt “Ask Store” já visível em testes. Aqui o objectivo é claro: tornar a loja menos lista de apps e mais motor de descoberta, onde pedes “jogos offline para crianças” em vez de pesquisares por nomes. É útil, mas também mais um passo para uma Play Store que recomenda, filtra e empurra o que a Google quer, com base em sinais que o utilizador raramente controla. Entre lojas rivais supervisionadas, laboratório permanente e pesquisa guiada, a Play Store caminha para ser menos catálogo neutro e mais interface política do Android.
Fonte: Android Authority
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