Google aluga GPUs da xAI à SpaceX por quase mil milhões ao mês
Acordo de 27 mil milhões de Euros com a SpaceX compra a Google tempo e poder de fogo para o Gemini Enterprise.
Acordo de 27 mil milhões de Euros com a SpaceX compra a Google tempo e poder de fogo para o Gemini Enterprise.
Noventa por cento das empresas do mundo matavam para ter um contrato de 920€ milhões por ano. A SpaceX acaba de assinar um de ~920€ milhões por mês com a Google. No total, cerca de US$30 mil milhões, algo como 27€ mil milhões, em computação de IA vinda dos data centers da xAI de Elon Musk até 2029.
O acordo, detalhado num registo da SpaceX na Securities and Exchange Commission (SEC, o regulador financeiro norte-americano), dá à Google acesso a 110 000 GPUs NVIDIA, mais CPUs e memória associada, a partir de outubro deste ano e até junho de 2029. Se a SpaceX não tiver esse número de GPUs pronto até setembro de 2026, a Google pode cancelar imediatamente ou aceitar menos placas gráficas em troca de um desconto, depois de um mês de tolerância. Está tudo escrito, porque nesta escala já não há espaço para promessas vagas.
À primeira vista, parece estranho: a Google tem uma rede global de data centers e anda a construir mais, com direito a compromissos públicos de sustentabilidade da água e energia. Ainda assim, está a alugar o músculo da xAI. A explicação oficial, via porta-voz da Google Cloud a meios como a CNBC e o New York Times, é que se trata de um acordo de curto prazo, “pontual”, para garantir capacidade de ponte face à procura explosiva do Gemini Enterprise, a subscrição de IA para grandes empresas. Traduzindo: a procura disparou mais rápido do que o hardware interno consegue crescer.
Este esforço extra não é barato, mas dá uma ideia da guerra de capacidade em que os grandes da IA estão metidos. A Google prefere comprometer dezenas de milhares de milhões num fornecedor externo do que deixar clientes empresariais sem acesso a GPUs. Ao mesmo tempo, Musk transforma a xAI e a sua infraestrutura Colossus numa espécie de central eléctrica de IA para terceiros. Não é só a Google: a SpaceX já tinha contrato com a Anthropic, que segundo a documentação do IPO (Initial Public Offering) vai pagar cerca de US$1,25 mil milhões por mês até maio de 2029 para usar o data center Colossus 1.
Na prática, a empresa de foguetões e satélites de Musk passa a ser uma peça estrutural da capacidade de IA de vários concorrentes entre si. Isto levanta questões óbvias de dependência estratégica. Ter Google Cloud, Anthropic e potencialmente outros a dependerem de uma infraestrutura controlada por um rival directo na corrida de modelos gera riscos que vão além da conta de eletricidade. Por agora, o dinheiro fala mais alto. E a SpaceX, prestes a tornar-se a maior entrada em bolsa da história, apresenta a investidores uma narrativa simples: não é só lançamento de foguetões, é também o aluguer de matéria-prima da IA, GPUs em escala absurda.
Para quem olha de fora, a mensagem é clara. A era da IA generativa é, acima de tudo, a era do betão, da eletricidade e das placas NVIDIA encaixadas em filas infinitas de racks. A Google comprou alguns anos de oxigénio para o Gemini Enterprise à custa de engordar ainda mais a máquina de Musk. A fatura mensal de ~850€ milhões é o preço de admitir que, neste momento, quem manda é quem tem silício disponível, não quem escreve os posts mais inspirados sobre IA.
Fonte: Engadget
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