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GNOME 51 Alpha já está disponível: o que muda no teu desktop

Primeira prévia pública do GNOME 51 “A Coruña” traz afinações profundas, corta velharias NVIDIA e mexe em quase todos os cantos do ambiente de trabalho.

GNOME 51 Alpha já está disponível: o que muda no teu desktop

O GNOME Project pôs hoje cá fora o GNOME 51 Alpha, primeira versão pública de testes da próxima grande edição do ambiente de trabalho. Não é ainda para instalares na máquina de trabalho, mas é o primeiro vislumbre sério do que vai aterrar em distribuições como Fedora, Ubuntu ou Debian nos próximos meses.

O ciclo “A Coruña” começa por baixo da superfície. Há uma nova API para gerar códigos QR, integração do portal de captura de input com a área de transferência, screencasting mais eficiente graças a menos cópias de buffers, suporte para elogind como fornecedor de libsystemd e, finalmente, guardar e restaurar o brilho dos monitores. Nada disto rende gifs virais, mas é este tipo de detalhe que decide se o desktop se aguenta semanas sem encravar.

Onde o GNOME 51 é menos simpático é com o legado da NVIDIA. O suporte para os velhos drivers baseados em EGLStream e EGLDevice em Wayland foi atirado borda fora. Em troca, tudo assenta no caminho “normal”: passagem de buffers DMA com GBM para alocação e KMS a falar diretamente com o kernel. Em termos práticos, isto força quem ainda anda com drivers antigos a mexer-se. É um recado claro: Wayland é a linha da frente, não o museu das compatibilidades eternas.

No dia a dia, começam a aparecer pequenos mimos. O Nautilus mostra agora um badge com a contagem de itens quando arrastas vários ficheiros, anuncia melhor as categorias de notificações para operações de ficheiros e montagem, acelera o recarregamento de vistas e corrige o estado das estrelas na vista de Recents. No GNOME Control Center, a secção de ecrãs ganha rotação automática em dispositivos com acelerómetro e encaixe centrado nas margens horizontais, e podes desativar o touchpad quando há rato ligado. Há ainda novas opções de pesquisa de domínios DNS na rede, cache da lista de plugins VPN, melhorias em WireGuard e adeus ao WEP, que já só servia para dar falsa sensação de segurança.

O painel de definições também foi passado a pente fino em acessibilidade, sistema, aplicações, cor, data e hora, teclado, energia, impressoras, privacidade, região, ambiente de trabalho remoto, partilha, atalhos globais, som, utilizadores, Wacom e WWAN. GNOME Remote Desktop simplifica a gestão de sessões no GDM e ativa aceleração por hardware para GPUs AMD via AMDGPU. A sessão GNOME passa a usar oo7-portal como implementação do portal de segredos e o xdg-desktop-portal-gnome passa a suportar persistência de sessão no portal de captura de input. São linhas de código que quase ninguém vê, mas que definem se um desktop moderno consegue competir com macOS ou Windows em gestão remota e segurança.

O GDM em si recebe novas opções para mudar a sessão de fallback e desligar greeters locais em sistemas só com acesso remoto, passa a usar logind para enumerar sessões em conflitos e ganha compatibilidade com kmsconvt. Há verificações extra para impedir que plugins PAM larguem privilégios fsuid e partam o gestor de login, e muda a forma como o XDG_DATA_DIRS é construído para evitar “hacks” locais ao GNOME Shell com prefixos estranhos sem recompilar o próprio GDM. Pelo meio, aplicações de base também são mexidas: o GNOME Calendar suporta links de mapas, ligações Teams, melhor contraste e mais desempenho; a Calculator lida melhor com números complexos; o GNOME Software avisa antes de instalares apps em fim de vida e reutiliza dados AppStream em cache para arrancar mais depressa; o Loupe mostra metadados mais ricos e o Epiphany ganha atalho para copiar o URL atual e criação de passwords seguras via libpwquality.

É uma típica release Alpha do GNOME: pouco glamour, muita canalização a ser trocada. Quem testar agora ajuda a decidir se o GNOME 51 chega às distros como um upgrade tranquilo ou como mais um capítulo da novela Wayland vs drivers antigos. Os desenvolvedores parecem ter escolhido o lado, cabe à comunidade acompanhar ou ficar agarrada ao X11 até não haver mais remendo possível.

Fonte: 9 to 5 Linux

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