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GitHub corta prémios públicos de bug bounty e cria liga VIP fechada

A avalanche de relatórios gerados por IA levou o GitHub a cortar a recompensa para o público e a reservar os prémios altos para um clube de investigadores convidados.

GitHub corta prémios públicos de bug bounty e cria liga VIP fechada

O GitHub decidiu apertar o cinto no seu programa público de bug bounty. A partir de 27 de julho, quem submeter vulnerabilidades pelo canal aberto vai receber bem menos. Os prémios grandes passam para uma nova liga VIP, por convite, reservada a investigadores com histórico provado.

A justificação oficial é simples e pouco surpreendente para quem anda a brincar com chatbots: a segurança do GitHub está a afogar-se em relatórios ruidosos, muitos deles escritos ou inflacionados por IA generativa. Em vez de contratar mais pessoas para ler centenas de relatórios irrelevantes, a empresa prefere pagar mais a quem já mostrou saber encontrar falhas reais. Cathering Cassell, engenheira de segurança de produto, resume a mudança como um esforço para “reduzir o ruído” e tornar o programa mais compensador para investigadores sérios.

Na prática, para o programa público, um achado de baixa severidade que antes rendia entre 500 e 1.000 dólares passa a valer 250 dólares, cerca de ~230€. Bugs médios ficam limitados a 2.000 dólares (~1.800€) em vez de 5.000, vulnerabilidades de alta severidade descem de um máximo de 20.000 para 5.000 dólares (~18.500€ para ~4.600€) e falhas críticas caem dos 30.000 para 10.000 dólares (~27.500€ para ~9.200€). É um corte sem rodeios que torna o programa público muito menos apelativo como fonte de rendimento para quem vive de caça a falhas.

No novo programa VIP, a história é outra. Baixa severidade rende 1.000 dólares (~920€), bugs médios 7.500 (~6.900€), alta severidade 20.000 (~18.500€) e vulnerabilidades críticas partem de 30.000 dólares para cima. A porta está fechada a curiosos: o acesso depende de histórico validado, que pode ir de uma única vulnerabilidade crítica aceite a sete relatórios de baixa severidade aprovados. O recado é claro, o GitHub quer converter o bug bounty num canal de consultoria externa altamente curado, não num passatempo em massa com recompensa.

Para agravar, quem está a começar vai ter de passar por um funil ainda mais estreito. A empresa vai ativar a funcionalidade de “signal requirement” da HackerOne, que limita o número de relatórios que novos investigadores podem submeter antes de provarem consistência. Em teoria, um estreante ainda pode tentar até quatro relatórios legítimos. Na prática, quem vinha a usar ferramentas de IA para gerar dezenas de submissões de baixa qualidade perde o modelo de negócio do dia para a noite.

Há aqui duas leituras em choque. Por um lado, é difícil culpar o GitHub por tentar defender a sua equipa de segurança de uma enxurrada de texto gerado por modelos que, como já vimos em testes clínicos com IA, têm uma confiança desproporcionada face à precisão real. Por outro, o corte agressivo no programa público empurra o bug bounty para um modelo quase corporativo, em que o acesso aos prémios sérios depende de ter conseguido entrar no círculo certo. Isso pode reduzir a diversidade de olhares sobre a plataforma, sobretudo de investigadores independentes fora dos grandes centros ou sem redes de contacto confortáveis com a Microsoft.

Para quem programa em Portugal e depende do GitHub no dia a dia, o impacto direto é mais psicológico do que económico, poucos vivem aqui de bug bounty em plataformas gigantes. Mas há um sinal mais amplo: as grandes empresas começam a fechar válvulas sempre que a IA torna um canal demasiado barato de abusar. Primeiro foram os formulários de suporte, agora os programas de segurança. A pergunta que fica é quanto talento fresco nunca chegará a ser convidado para a liga VIP porque a primeira porta foi drasticamente encolhida.

Fonte: The Register

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