SOFTWARE

Estas definições do Windows libertam RAM sem gastares um cêntimo

Antes de ires a correr comprar mais memória, há opções no Windows e no browser que tiram peso da RAM em segundos. Vale mais afinar o que já tens do que aturar o PC a arrastar-se.

Estas definições do Windows libertam RAM sem gastares um cêntimo
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

A RAM está cara e muita gente salta logo para a solução óbvia: abrir o portátil e enfiar lá dentro mais módulos. Muitas vezes é dinheiro deitado à rua. Há definições no Windows e no browser que reduzem brutalmente o consumo de memória e que a maioria dos utilizadores nunca tocou.

O jornalista do MakeUseOf foi experimentar uma lista de ajustes rápidos e percebeu que boa parte do drama da RAM se resolve em meia dúzia de cliques. Não faz milagres num portátil com 4GB a correr Chrome e mais meio escritório, mas pode ser a diferença entre um sistema a engonhar e algo usável no dia a dia.

1. Startup do Windows: menos arranque automático, mais RAM livre

O primeiro sítio a limpar é a lista de apps que arrancam com o Windows. Cada launcher e utilitário que sobe ao arranque fica a comer memória o dia inteiro, mesmo que quase não o uses.

Em Windows 11 faz assim:

  • Abre Definições.
  • Vai a Aplicações > Arranque (Apps > Startup, se ainda te aparecer em inglês).
  • No topo da lista, muda a ordenação para Estado para veres primeiro o que está ativo.

Deve aparecer o clássico pacote de suspeitos: Steam, Discord, launchers de jogos, ferramentas de impressora, sincronização na cloud, utilitários de áudio. Cada um tem uma etiqueta de impacto, mas isso é sobre a velocidade de arranque, não sobre quanta RAM consome. Uma app marcada como “baixo” pode, na prática, reter uma quantidade razoável de memória enquanto estiver aberta em fundo.

A ideia é simples: desliga tudo o que não precisas logo após entrar no Windows. Exemplos típicos que podes considerar desligar:

  • Launchers de jogos que só abres ao fim do dia.
  • Apps de chat que também tens no telemóvel e não precisas sempre no PC.
  • Suites pesadas de criatividade que só arrancas quando vais mesmo editar algo.

Continuam instaladas, só deixam de arrancar sozinhas. Quando quiseres, abres manualmente e, se mudares de ideias, voltas a ativar o arranque automático. Onde convém não mexer é em utilitários de segurança, drivers de áudio, rato, teclado ou touchpad. Poupa-se RAM, não se parte o sistema.

2. Separar “muita RAM usada” de “falta de RAM”

Há um ponto que quem escreve para o MakeUseOf sublinha bem: ver 80% ou 90% de RAM ocupada não significa automaticamente que o teu PC está a sofrer. O Windows tenta usar a memória livre para cache e coisas úteis. O problema aparece quando começas a notar pausas constantes, discos a rodar sem parar e apps a engasgar-se porque o sistema está sempre a trocar dados entre RAM e disco.

Se é esse o teu caso, estas afinações ajudam. Se tens 32GB e achas estranho o gestor de tarefas mostrar tudo cheio, é mais provável que seja só o Windows a usar bem o espaço do que uma urgência de upgrade. Há um bom resumo destes números em guias dedicados a explicar quais são as métricas de memória que realmente contam, mas o sinal prático continua a ser a sensação de arrasto no uso real.

3. Pôr separadores do browser a dormir em vez de matar o Chrome

O browser é quase sempre o maior consumidor de RAM. Em vez de viver a fechar separadores e perder contexto, faz mais sentido usar as ferramentas já incluídas para pôr o que não estás a usar em suspensão.

No Microsoft Edge, a funcionalidade de sleeping tabs costuma vir ligada por defeito. Confere assim:

  • Abre o Edge.
  • Clica nos três pontos no canto superior direito e entra em Definições.
  • Vai a Sistema e desempenho (System and performance).
  • Procura a opção Colocar separadores inativos em suspensão após um determinado tempo (Put inactive tabs to sleep after a set time).

Ajusta o temporizador para algo agressivo o suficiente para te devolver RAM, mas não tão curto que seja irritante. Meia hora ou uma hora costuma ser um bom compromisso. Quando um separador entra em modo de sono, o Edge liberta grande parte da memória associada. Quando voltas lá, o conteúdo reativa-se em segundos.

Se há sites que queres manter sempre vivos, como webmail ou uma app de trabalho, usa a lista de exceções. Na mesma página, tens a secção Manter sempre estes sites ativos (Always keep these sites active). Adiciona aí os domínios que não podem adormecer para não perderes notificações ou sessões.

O Edge também tem uma opção de System Boost que tenta gerir automaticamente recursos para acelerar arranques e reabertura de separadores. Quem o testou nota que pode ajudar, mas o ganho grande continua a ser a disciplina nos separadores e o uso de sleeping tabs. Otimização automática nunca compensa 60 abas de uma vez.

4. Ligar estas afinações ao resto da higiene do Windows

Desligar arranques inúteis e pôr separadores a dormir não substitui o básico: manter o Windows atualizado, ter atenção às apps que correm em fundo e, se for caso disso, rever permissões e definições mais escondidas. Já explicámos, por exemplo, como o Windows 11 regista o que escreves num ficheiro discreto por defeito e porque é que vale a pena ir desligar isso nas definições de privacidade.

Também não vale a pena fingir que as definições fazem magia. Se o teu portátil anda aflito com 4GB ou 8GB de RAM a abrir Windows 11, browser e mais meia dúzia de apps, estas mudanças só adiam o inevitável. Ainda assim, faz sentido começar por aqui, porque é o “upgrade” mais barato que existe: mexer no que já tens instalado e recusar que o sistema desperdice memória por preguiça de configuração.

Fonte: MakeUseOf

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0