CIêNCIA

Esta rede chinesa quer trocar baterias de camiões na Europa

A Octopus juntou-se à CATL para montar estações de troca de baterias para pesados. Começa no Reino Unido, mas a ambição é claramente continental.

Esta rede chinesa quer trocar baterias de camiões na Europa

A Octopus Energy, maior fornecedora de energia do Reino Unido, aliou-se à chinesa CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos eléctricos, para trazer estações de troca rápida de baterias para a Europa. O alvo não são carros de família, são camiões pesados. A joint venture chama-se Swaptopus e promete hubs capazes de trocar baterias em minutos e servir milhares de camiões por dia.

A ideia não é nova, mas tem história atribulada. Durante anos, vendeu-se a troca de baterias como antídoto mágico para a ansiedade de autonomia dos carros eléctricos. Chegar a uma estação, largar o pack descarregado, sair com um carregado, tudo mais rápido do que um café e ida à casa de banho. Na prática, o custo das baterias e a complexidade de engenharia mataram quase todos os projectos. Até a Tesla testou o conceito e desistiu há uma década.

Na Ásia, a conversa é outra. A CATL já se juntou à petrolífera Sinopec para criar uma rede massiva de estações de troca na China, e marcas como a Nio, nos automóveis, ou a Gogoro, nas scooters, provaram que o modelo pode funcionar quando há escala e standardização. É um contraste interessante com a estratégia europeia, mais focada em carregadores rápidos e em empurrar a tecnologia das baterias, como se vê na aposta em baterias semi-sólidas.

Para veículos pesados, a proposta da Swaptopus faz mais sentido do que tentar copiá-la para o consumidor comum. Camionagem e transporte pesado continuam a ser o calcanhar de Aquiles da transição eléctrica. Um camião TIR precisa de enormes quantidades de energia, e cada kWh extra é mais peso no chassis. A famosa equação do foguetão aplicada ao asfalto: quanto mais levas, mais energia precisas para mover o que levas. Daí tanta gente apostar que o sector seria conquistado por pilha de combustível de hidrogénio, graças à maior densidade energética e tempos de reabastecimento curtos.

A Swaptopus tenta contornar isso com baterias mais pequenas e troca frequente ao longo da rota. William Rowe, CEO da parceria, diz que os hubs vão carregar baterias “quando a rede precisar”. Na prática, estas estações seriam também pequenos centrais de armazenamento, capazes de absorver excesso de produção renovável e devolvê-la à rede. Do ponto de vista energético é elegante, do ponto de vista dos operadores logísticos é mais complicado: estão a alugar baterias cujo ciclo de vida também serve para optimizar o negócio eléctrico da Octopus.

Os primeiros “mega hubs” no Reino Unido estão prometidos para 2027. Falta saber se os grandes grupos de transporte, que planeiam frotas em horizontes de 10 ou 15 anos, vão comprometer-se com um modelo em que nem o camião nem a bateria são inteiramente “seus”. Para a Europa continental, incluindo Portugal, não há ainda datas nem locais definidos. Se esta rede avançar para cá, fica a dúvida: teremos mais um standard paralelo de infra-estrutura ou uma peça que se encaixa no puzzle eléctrico existente, de carregadores rápidos a novas químicas de bateria e a eléctricos de longo curso como os que a Škoda anda a prometer com o Peaq topo de gama eléctrica. A resposta vai dizer muito sobre quem realmente manda na transição energética dos pesados, se as utilities, se os fabricantes, se os próprios transportadores.

Fonte: Engadget

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