Epic Games Store ainda pode morder a Steam, mas o tempo está contra
A Epic prepara um launcher mais rápido e uma loja redesenhada, mas a Newzoo acha que o comboio já passou. A guerra dos launchers está a ficar cara e previsível.
A Epic prepara um launcher mais rápido e uma loja redesenhada, mas a Newzoo acha que o comboio já passou. A guerra dos launchers está a ficar cara e previsível.
A Epic passou o ano a prometer um Epic Games Store mais leve, com recomendações decentes e navegação menos penosa. A Newzoo olha para isso tudo e responde: provavelmente tarde demais. Emmanuel Rosier, director de inteligência de mercado da consultora, disse à PC Gamer que não vê forma de a Epic recuperar terreno na guerra das lojas de PC. Traduzindo: a Steam ganhou por inércia e hábito.
O ponto central é simples. A Valve tem um monopólio de facto no PC, e a estratégia de jogos grátis da Epic falhou o objectivo principal, que era criar rotina. Rosier sublinha que muita gente entra, reclama o jogo gratuito da semana e fecha a app sem tocar em nada. A colecção cresce, a biblioteca Steam continua a ser a “principal”. O resultado perverso é conhecido: ofertas na Epic chegam a empurrar vendas na Steam, porque os jogadores preferem manter tudo arrumado no mesmo sítio.
O analista também aponta outro problema estrutural: a Epic quis bater em todo o lado ao mesmo tempo. Travou guerra judicial com a Apple e a Google pelo corte nas lojas móveis, subsidiou exclusividades de PC contra a Steam e ainda tenta transformar Fortnite em plataforma total. Há um limite para o dinheiro que se pode queimar em batalhas paralelas, mesmo para quem imprime Unreal Engine a licenças e continua a fazer fortunas com skins.
Curiosamente, é como developer que a Newzoo vê mais futuro na Epic. Fortnite está outra vez em alta, cheio de crossovers agressivos, de Sonic e Pac-Man a Sora de Kingdom Hearts e Joker de Persona 5. A aposta é clara: se não consegues mandar na loja onde os jogos vivem, tentas ser o sítio onde todos os jogos aparecem como cosmético. Não é por acaso que, enquanto a Epic tenta fincar o pé também nas consolas Xbox com a sua loja própria, a discussão de fundo sobre quem controla as chaves dos jogos digitais está mais quente do que nunca, como vimos quando a Sony lembrou os jogadores que não são donos dos seus jogos digitais PlayStation em determinadas remoções de catálogo.
Para quem joga em Portugal, tudo isto resume-se a fricção: mais launchers, mais contas, mais bibliotecas espalhadas. A promessa da Epic sempre foi simples, comissões mais baixas para estúdios, teoricamente preços melhores ou mais investimento em jogos. Na prática, o efeito visível foram anos de ofertas agressivas e uma loja que continua pior organizada do que a Steam. Com a Valve a controlar comunidade, bibliotecas antigas e uma década de hábito, não chega redesenhar um ecrã inicial para mudar a maré.
O veredicto de Rosier não é uma sentença formal, mas é um espelho de algo que o mercado já mostra: tornar-se concorrente sério da Steam em 2026 exige mais do que uma remodelação gráfica e uns ajustes de performance. A Epic pode continuar a comprar relevância com Fortnite e com o Unreal, pode até encaixar a sua loja em consolas, mas transformar o comportamento de milhões de jogadores de PC é outra escala de boss. E esse boss, para já, continua com a barra de vida bem cheia.
Fonte: Eurogamer
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