Ecrãs E Ink a cores ganham mais contraste e menos deslavado
A nova geração Kaleido 4 promete texto mais legível, cores menos apagadas e até vídeo em e-readers. Falta saber quando chega a um Kindle, Kobo ou Boox que possas realmente comprar.
A nova geração Kaleido 4 promete texto mais legível, cores menos apagadas e até vídeo em e-readers. Falta saber quando chega a um Kindle, Kobo ou Boox que possas realmente comprar.
As cores nos ecrãs E Ink continuam a ser o elo mais fraco dos e-readers, mas a E Ink garante que a coisa vai melhorar. A empresa apresentou hoje o Kaleido 4, a nova geração da sua tecnologia de papel electrónico a cores que já equipa a maioria dos leitores actuais. Segundo o The Verge, o objectivo é claro: corrigir as críticas recorrentes ao Kaleido 3, de imagens baças e texto mais escuro.
Ao contrário do Gallery 3, a outra família de ecrãs a cores da marca, que usa pigmentos coloridos móveis e aproxima mais o aspecto de uma impressão em papel, a linha Kaleido opta por um filtro de cor colocado sobre um painel preto e branco. É esse compromisso que permite tempos de resposta rápidos, mas que também corta resolução efectiva e deixa tudo com ar deslavado. A própria E Ink admite agora que o Kaleido 3 não chegava lá e promete que o Kaleido 4 duplica o “volume de gamut de cor”, ou seja, a variedade de tons que consegue mostrar.
Convém, no entanto, manter os números no sítio: mesmo com Kaleido 4 continuamos limitados a 4.096 cores. Um painel LCD ou OLED moderno produz milhões. E tal como antes, a resolução das imagens a cores continua inferior à do texto a preto e branco. Onde há melhorias mais palpáveis é na legibilidade. A E Ink fala em mais 15 por cento de reflectância do branco e um aumento de 50 por cento no contraste. Traduzindo: fundos menos acinzentados e letras menos enlameadas, um dos problemas mais irritantes para quem saltou de um Kindle clássico para um e-reader a cores recente.
O outro trunfo do Kaleido 4 é a velocidade. Os ecrãs Gallery 3, usados por exemplo no Remarkable Paper Pro, ficam-te a dever em fluidez. O refresh é tão lento que a interacção roça o frustrante. A família Kaleido sempre foi mais rápida, e agora ganha um novo backplane TFT de óxido que, nas contas da E Ink, permite taxas até 18fps. Não é cinema, mas já é suficiente para animações suaves e até playback de vídeo em contexto informal. Para um dispositivo que se quer principalmente de leitura e anotação, isso chega bem.
Para já, a estreia do Kaleido 4 não acontece em nenhum Kindle, Kobo ou Boox com distribuição global. Quem adianta o detalhe é o The Verge: a primeira máquina a usar o novo painel será o Hanvon M10C II, um tablet de notas que só vai ser vendido na China. Terá um ecrã com vidro temperado micro-gravado para reduzir reflexos e aproximar a sensação de escrita em papel, e uma caneta sem bateria incluída. Em teoria, é a vitrina perfeita para convencer fabricantes maiores a dar o salto.
Para quem lê em Portugal, a parte chata é a mesma de sempre: as grandes melhorias chegam primeiro em hardware obscuro e mercados limitados. Amazon e Kobo ainda não disseram uma palavra sobre modelos com Kaleido 4, apesar de já terem apostado forte em e-readers a cores nos últimos anos. Até lá, quem quer um leitor discreto, confortável e com autonomia obscena continua melhor servido por um bom painel preto e branco, como temos sublinhado quando falamos de tirar mais partido do Kindle. O Kaleido 4 aproxima o papel electrónico a cores de algo realmente convincente, mas ainda não é hoje que substitui o ecrã de um tablet tradicional.
Fonte: The Verge
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