CIêNCIA

Eclipse começa em 20 minutos! Como fotografar o eclipse sem fritar a câmara do telemóvel

Eclipse começa em 20 minutos! Como fotografar o eclipse sem fritar a câmara do telemóvel começa em 20 minutos! Queres registar o eclipse com o telemóvel sem o mandar para o lixo? A resposta resume-se a uma palavra pouco sexy: filtro.

Eclipse começa em 20 minutos! Como fotografar o eclipse sem fritar a câmara do telemóvel

Daqui a nada vai haver mais gente a apontar o telemóvel ao céu do que a olhar para o que se passa no chão. Eclipse solar total, feed do Instagram cheio e, se não tiveres cuidado, sensores queimados e câmaras a desenhar manchas roxas em tudo o que é foto a partir daí.

A regra base é seca mas simples: durante as fases parciais do eclipse nunca apontes a câmara, seja de telemóvel ou máquina fotográfica, diretamente ao Sol sem um filtro solar específico. Não é o mesmo que óculos de sol, não é um pedaço de vidro fumado, não é o filtro polarizador que tens atrelado à lente. Precisas de um filtro tipo ND muito forte, próprio para observação solar, ou de película certificada para eclipses, colocada à frente da lente.

Sem esse filtro, concentras a luz do Sol no sensor do telemóvel durante segundos ou minutos. O resultado pode ser dano permanente nos fotodíodos, manchas permanentes na imagem e, em casos extremos, lentilhas internas com marcas. Um filtro solar dedicado custa a partir de cerca de 7€, que é menos do que uma película de ecrã decente. A alternativa low-cost é improvisar com um segundo par de óculos de eclipse certificados, presos com fita à frente da câmara. Mas aqui não há milagres: cada pessoa precisa do seu par para ver e outro para o telemóvel, não se partilha.

Há uma excepção curiosa no mapa: Bragança. Na faixa de totalidade, durante cerca de 26 segundos, a Lua tapa completamente o disco solar. Nesse momento específico é seguro tirar o filtro da frente da lente e fotografar a coroa solar diretamente. Mas é mesmo um intervalo de segundos. Assim que a totalidade termina, o filtro volta para o sítio, senão voltas a expor o sensor a radiação ultravioleta e infravermelha intensa. No resto do país não há essa margem, o filtro fica sempre colocado, do primeiro ao último minuto.

Se não tens filtro, a opção sensata é aceitar que o teu telemóvel não é um telescópio de bolso. Em vez de tentares encher o frame com um Sol minúsculo e estourar a ótica, aponta para a paisagem, as sombras estranhas, as pessoas a olhar para cima. Fotografa o ambiente, não o disco solar. Em termos de registo histórico, esses frames dizem mais sobre como viveste o momento do que mais um pontinho queimado no céu. E se quiseres ir mais longe na parte científica, há projectos como o CISS, o espectrómetro italiano, que mostram o que se faz quando se leva a sério a luz do Sol.

Em 1912, no último eclipse total visível de forma ampla em Portugal, a malta usava vidros fumados e improvisos perigosos para olhar para o céu. Em 2026 não há desculpa tecnológica. Há filtros baratos, informação acessível e sensores caros dentro de cada bolso. Se a ideia é fotografar um momento raro, faz sentido começar por garantir que a câmara sobrevive ao próprio momento raro.

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