Double Fine sai da Xbox com as chaves de todos os seus jogos
O estúdio de Psychonauts 2 confirma que fica com o controlo total das suas propriedades intelectuais e do catálogo publicado durante os sete anos dentro da Xbox.
O estúdio de Psychonauts 2 confirma que fica com o controlo total das suas propriedades intelectuais e do catálogo publicado durante os sete anos dentro da Xbox.
Tim Schafer não gosta de ficar a dever nada a ninguém, muito menos as ideias. Depois da separação da Xbox no início do ano, a Double Fine confirmou agora que é dona da propriedade intelectual e dos direitos de publicação de todos os jogos que criou durante o período em que esteve debaixo da Microsoft. Em termos práticos, Psychonauts 2, Keeper, Kiln e companhia passam a render diretamente para o estúdio.
A confirmação surgiu numa conversa no canal Kinda Funny Games, quando um fã perguntou se comprar jogos da Double Fine equivalia mesmo a apoiar o estúdio. Schafer respondeu sem rodeios: a transferência das IPs (propriedades intelectuais) já voltou para o estúdio, e os direitos de publicação também. Há ainda alguns títulos que, por questões burocráticas, continuam temporariamente do lado da Xbox, mas é uma formalidade, diz o criador.
Esta clareza importa por um motivo simples: independência custa dinheiro. Schafer sublinhou que comprar qualquer um dos jogos do catálogo da Double Fine ajuda a alongar a pista de descolagem da empresa. Já não há almofada corporativa da Microsoft, há receitas diretas que pagam salários e tempo para o próximo projeto. Para quem em Portugal sempre viu a Double Fine como um estúdio de autor dentro de um gigante americano, a situação vira. Agora é novamente um estúdio independente que, por acaso, teve sete anos de financiamento Xbox.
A transição não foi limpa. No processo de saída, a Double Fine despediu cerca de um quarto da sua equipa de 90 pessoas. O discurso oficial é o habitual, “chegar a um tamanho sustentável”, mas o resultado é conhecido: menos gente, mais pressão. A reestruturação da divisão Xbox, anunciada pela CEO Asha Sharma em julho, cortou cerca de 3.200 postos de trabalho e empurrou vários estúdios para fora da casa-mãe, ainda que com as IPs na mala. No meio do caos corporativo, o facto de a Double Fine sair com o catálogo intacto é quase uma raridade.
Não foi caso único. A Compulsion Games, responsável por We Happy Few e South of Midnight, também confirmou que mantém a propriedade das suas séries depois de ter sido igualmente “solta” pela Xbox. Há aqui um padrão: a Microsoft encolhe e corta, mas em vez de matar marcas, começa a devolver as chaves criativas aos estúdios. É uma boa notícia para os autores e para a preservação de jogos, mesmo que chegue embrulhada em despedimentos.
O próximo passo da Double Fine é voltar às raízes com o regresso do Amnesia Fortnight, o célebre game jam interno, agora transformado em campanha Kickstarter. Quem apoiar vai poder escolher qual protótipo vira o próximo jogo completo do estúdio. Depois de anos a responder ao calendário de uma plataforma, Schafer quer voltar a decidir o que faz, como faz e com quem paga a conta. A mensagem para quem joga em PC, PS5 ou Xbox em Portugal é simples: se gostas do estilo estranho da Double Fine, este é o momento em que cada cópia conta mesmo.
Fonte: Eurogamer
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