Dois eclipses em agosto: onde e como vê-los de Portugal
Agosto traz um eclipse solar total e um lunar parcial. Para Portugal há boas e más notícias, mas vale a pena planear com tempo.
Agosto traz um eclipse solar total e um lunar parcial. Para Portugal há boas e más notícias, mas vale a pena planear com tempo.
Agosto de 2026 vai ter dois grandes momentos para quem gosta de olhar para o céu. Um eclipse solar total no dia 12 e um eclipse lunar parcial nas noites de 27 para 28. O calendário global é generoso, o mapa para Portugal nem tanto, mas há aqui oportunidades reais de observação se souberes onde e quando olhar, ou quanto estás disposto a viajar.
Comecemos pelo prato principal: o eclipse solar total de 12 de agosto. Nestes eventos a Lua alinha-se entre a Terra e o Sol e apaga o disco solar durante poucos minutos. Em 2026 a sombra da Lua nasce no Árctico, atravessa o norte do Atlântico e passa sobre Alasca, Canadá, Islândia e Groenlândia. A faixa de totalidade em terra tem um protagonista evidente: Espanha. Vai ser a primeira vez em mais de um século que a Península Ibérica apanha um eclipse total de Sol, e é do lado espanhol que se entra verdadeiramente na escuridão a meio da tarde.
Para Portugal continental, a realidade é menos cinematográfica. Não estamos na faixa de totalidade, por isso não teremos o céu a escurecer em pleno. O que podemos esperar é um eclipse parcial modesto, com o Sol a parecer “mordido” no fim do dia, dependendo da região. A organização nacional de astronomia ainda deverá publicar mapas e horários mais finos à medida que se aproxima a data, mas convém alinhar expectativas: se queres mesmo ver o Sol tapado a 100 por cento, a resposta é simples, vais ter de atravessar a fronteira. Cidades como Bilbau, Saragoça ou Valência estarão muito melhor posicionadas, e será provavelmente uma das viagens científicas mais populares do ano para portugueses.
Seja em Espanha ou cá, há uma regra que não muda: nunca olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada. Óculos de sol não chegam, filtros improvisados ainda menos. Para observar um eclipse solar em segurança precisas de óculos certificados com filtro adequado ou de projetar a imagem do Sol com recurso a um projetor de orifício ou telescópio com filtro frontal próprio. Aqui não há margem para “desenrascar”, a retina não regenera. A boa notícia é que, com meses de antecedência, há tempo para comprar material decente, em vez de cair em bugigangas de última hora vendidas sem certificação.
Duas semanas depois, na noite de 27 para 28 de agosto, vem o eclipse lunar parcial. Desta vez é a Terra que se mete entre o Sol e a Lua, mergulhando parte do disco lunar na sombra. Até 96 por cento da superfície da Lua pode ficar escurecida, com tons avermelhados a dar-lhe aquele aspecto de Lua de filme-catástrofe. O máximo do espetáculo está reservado para as Américas, mas aqui a distribuição é mais democrática. Ao contrário de um eclipse solar, um eclipse lunar é visível em simultâneo a partir de metade do planeta que esteja virada para a Lua, por isso uma boa parte da Europa, incluindo Portugal, deverá conseguir ver pelo menos parte do evento, se o tempo colaborar.
Aqui, ao contrário do caso solar, não precisas de nada além de céu limpo e pouca poluição luminosa. Binóculos ou um pequeno telescópio ajudam a apreciar melhor os detalhes, mas não são obrigatórios. Vale a pena afastar-te das grandes cidades, ainda que para muitos a logística de ir até um sítio escuro às tantas da manhã seja mais complicada do que atravessar a fronteira para Espanha durante o dia. Para quem já segue fenómenos como a actividade solar extrema ou anda a sonhar com exoluas, estes dois eclipses são um lembrete útil: não é preciso um observatório em Mauna Kea para sentir a mecânica celeste a trabalhar, basta não deixar que agosto passe todo a olhar para o ecrã.
Fonte: Wired
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